União diz que está buscando solução para não leiloar a Feira de São Cristóvão
24/01/2026
(Foto: Reprodução) Com leilão de terreno marcado, Feira de São Cristóvão vê futuro incerto
O terreno do Centro de Tradições Nordestinas, conhecido como Feira de São Cristóvão, tem um leilão previsto para o primeiro trimestre de 2026. No entanto, o Governo Federal, que moveu a ação contra a Riotur que motivou o leilão, diz que está buscando uma solução para o terreno.
Na nota, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional afirmou que mantém diálogo constante com o município do Rio de Janeiro e com a Riotur", com o objetivo de "garantir o cumprimento das obrigações judiciais e, simultaneamente, preservar o funcionamento do Centro de Tradições Nordestinas, reconhecendo sua relevância cultural e econômica para a cidade e para os trabalhadores locais".
Por conta de dívidas trabalhistas da Riotur, proprietária do imóvel, com a União, a Justiça do Trabalho determinou a venda do Pavilhão de São Cristóvão, que abriga a feira.
"Levamos um susto. Desde então, não temos dormido. A gente tem pensado no que vai fazer. Espero que a prefeitura tome uma posição, resolva essa situação por lá para não tirar a nossa casa", disse o diretor do Centro de Tradições Nordestinas, Magno Pereira.
Feira de São Cristóvão
Henrique Lima/TV Globo
A comissão que administra o espaço entrou com embargo na Justiça para impedir o leilão, e Magno faz um apelo:
"A gente não tem para onde ir. Onde seria a feira de São Cristóvão? Se não for em São Cristóvão, perde o brilho, perde a essência"
O espaço está penhorado para pagamentos de dívidas, principalmente fiscais e trabalhistas. Em 2012, a Riotur deixou de conceder período mínimo de 11 horas consecutivas para descanso entre diferentes jornadas de trabalho.
Em nota, a Prefeitura do Rio afirmou que está trabalhando para impedir o leilão, e que não vai medir esforços para a manutenção do Pavilhão de São Cristóvão como um imóvel público.
Feira de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio
Alexandre Macieira/Riotur
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História do espaço
Feira de São Cristóvão
Reprodução
O pavilhão onde a feira funcionado foi tombado pela Câmara de Vereadores em 2021, e o espaço foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil por uma lei federal.
O prédio tem uma história marcante: foi construído em 1959 para a Exposição Internacional da Indústria e do Comércio, com projeto do arquiteto Sérgio Bernardes. Considerado ousado para a época, tinha uma das maiores áreas cobertas do mundo sem vigas.
Com o tempo, faltou conservação. O pavilhão chegou a ser usado como barracão de escolas de samba e, após um vendaval nos anos 1980, virou depósito da Riotur.
Só em 2003 o pavilhão passou a abrigar o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas.