Sem a União Europeia, Brasil pode deixar de exportar quase US$ 2 bilhões ao ano em carnes; entenda

  • 06/06/2026
(Foto: Reprodução)
União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil A União Europeia (UE) publicou nesta sexta-feira (5) a decisão que retira o Brasil da lista de países considerados adequados às suas normas sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida ameaça exportações brasileiras de produtos de origem animal ao bloco que somam cerca de US$ 5 bilhões por ano (R$ 25 bilhões na cotação atual). 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia ➡️ Com isso, o Brasil fica proibido de exportar carne para o bloco a partir de 3 de setembro deste ano. Segundo a UE, o Brasil foi excluído por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária. Na lista de 2024, o Brasil aparecia como autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, peixe e mel. Agora, o país aparece excluído da lista de todos esses produtos. A União Europeia é o segundo maior mercado para carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China, segundo dados da Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura. Em 2025, o bloco comprou 368,1 mil toneladas de produtos, em negócios que somaram US$ 1,8 bilhão. ➡️ Considerando apenas a carne bovina, o Brasil arrecadou US$ 1,048 bilhão com o bloco, com um total de 128 mil toneladas exportadas. O produto é o mais relevante da categoria nas vendas aos europeus em valor e representa o terceiro maior destino da carne bovina brasileira, atrás de China e Estados Unidos. ➡️ A comercialização de carne de frango para a União Europeia, em 2025, atingiu US$ 762 milhões e 230 mil toneladas. ➡️ Outros produtos também devem ser impactados. O mel somou US$ 6 milhões em exportações, com volume de mil toneladas. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil não exporta carne suína para a União Europeia. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados a exportar para a UE. Por que o Brasil ficou de fora? A União Europeia proíbe os antimicrobianos que são utilizados também para crescimento dos animais, explica Leonardo Munhoz, doutor em direito agroambiental e advogado no VBSO. São eles: virginiamicina; avoparcina; cacitracina; tilosina; espiramicina; avilamicina. Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns antimicrobianos usados como melhoradores de desempenho, incluindo avoparcina e virginiamicina. Para voltar à lista da UE, o Brasil tem dois caminhos: restringir legalmente o uso dos demais medicamentos mencionados ou garantir que a carne exportada não contenha essas substâncias. A segunda opção não é fácil de aplicar, pois depende da rastreabilidade do produto, é mais demorada e custosa, aponta Munhoz. Assim que for comprovado que a pecuária brasileira não usa esses antimicrobianos, o país poderá voltar a exportar, mesmo que isso ocorra após setembro. Segundo o pesquisador, já se sabia que a União Europeia planejava essas restrições desde 2019. "Gera preocupação relevante para o agro porque a União Europeia é um mercado estratégico para proteínas animais e porque essas exigências podem impactar rastreabilidade, certificação sanitária e compliance exportador", afirma o pesquisador. Carne bovina de MT Assessoria

FONTE: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/06/06/sem-uniao-europeia-brasil-exportacao-de-carnes.ghtml


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