Risco de 'super el niño' faz governo montar grupo de especialistas para monitorar eventos extremos

  • 31/05/2026
(Foto: Reprodução)
Nuvens carregadas se formam na região na oeste da capital paulista ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Órgãos do governo federal e instituições de pesquisa vão passar a se reunir semanalmente para acompanhar os impactos do El Niño e coordenar ações de prevenção e resposta em todo o país. Até o momento, representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizaram três reuniões técnicas sobre o tema. Os encontros subsidiam o planejamento das ações federais em articulação com estados, municípios, universidades e organizações da sociedade civil, para mitigar possíveis efeitos do El Niño no Brasil. As reuniões, que antes ocorriam a cada 45 dias, serão intensificadas diante da previsão de agravamento dos impactos climáticos nos próximos meses. Segundo o governo, desde o início do ano vêm sendo estruturadas medidas integradas para reduzir os efeitos de eventos extremos associados ao fenômeno. Meteorologista explica sobre o fenômeno 'El Niño' O governo também retomou a Sala de Situação sobre Incêndios Florestais, grupo que reúne 13 ministérios e nove autarquias federais para monitorar cenários críticos e definir respostas emergenciais durante períodos de maior risco. El Niño no Brasil Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o El Niño "já está configurado" e seus efeitos começam a ser observados em diferentes partes do mundo. Países como Estados Unidos, Austrália e nações da Europa já registram impactos associados ao fenômeno, especialmente no aumento das temperaturas. No Brasil, os reflexos tendem a aparecer de forma gradual e variam de acordo com cada região do país. Sul De acordo com o pesquisador, José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden: os primeiros impactos mais significativos na América do Sul devem ser sentidos durante a primavera. Na Região Sul do Brasil, a previsão é de aumento das chuvas, o que pode elevar o risco de enchentes, alagamentos e outros eventos associados a precipitações intensas. O especialista ressalta, no entanto, que o fenômeno climático não é o único fator por trás dos desastres. "Não é o El Niño que gera os desastres podemos ter talvez uma potencialização. Mas lembrar que o El Niño gera os extremos de chuvas. E o desastre é a combinação do extremo de chuvas com a falta de preparação da cidade para suportar esse volume de chuva", exemplifica o pesquisador Marengo. Norte e Nordeste Nas regiões Norte e Nordeste, os efeitos costumam ocorrer em período diferente. A expectativa dos especialistas é que os impactos sejam mais perceptíveis durante o verão e o outono de 2027. Ao contrário do que ocorre no Sul, a tendência nessas áreas é de redução das chuvas e aumento das temperaturas, cenário que pode favorecer períodos de seca, pressionar reservatórios e afetar atividades como a agricultura e o abastecimento de água em algumas localidades. Apesar dos sinais já observados no Oceano Pacífico, especialistas afirmam que ainda é cedo para determinar a intensidade que o fenômeno terá no Brasil. Isso porque a classificação do El Niño depende, entre outros fatores, do nível de aquecimento das águas do Pacífico ao longo da primavera, período considerado decisivo para as projeções climáticas dos meses seguintes. Contudo, os estudiosos observam com atenção os últimos episódios de El Niño registrados no Brasil, que foram marcados por eventos extremos, como enchentes, secas e ondas de calor. Para os especialistas, a intensidade dos impactos não depende apenas do fenômeno climático, mas também da capacidade de prevenção, monitoramento e resposta dos governos e das cidades. Embora ainda não seja possível prever a intensidade do fenômeno, os últimos El Niño trouxeram consequências relevantes para o país. O principal fator para reduzir prejuízos não é apenas acompanhar a evolução do clima, mas fortalecer medidas de prevenção e preparar estados e municípios para responder a eventos extremos. Combate aos incêndios Uma das principais frentes de atuação para enfrentar os efeitos do El Niño é o combate aos incêndios florestais. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, mais de 4,4 mil brigadistas federais atuarão em todo o país em 2026, distribuídos em 240 brigadas. Somados a 220 servidores do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), serão 4.630 profissionais mobilizados em ações de prevenção e combate ao fogo. O contingente é superior ao registrado em 2025, quando 4.358 brigadistas foram contratados. Emergência ambiental Em fevereiro, o Ministério do Meio Ambiente publicou uma portaria que declara situação de emergência ambiental por risco de incêndios florestais em áreas consideradas vulneráveis. A medida permite a contratação emergencial de brigadistas, orienta ações preventivas e amplia a capacidade de resposta dos órgãos ambientais nos períodos mais críticos. As iniciativas integram a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF), que criou uma estrutura permanente de coordenação entre União, estados, municípios, proprietários rurais, pesquisadores e organizações da sociedade civil para prevenir e controlar incêndios florestais. Um dos instrumentos da política é o Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (Comif), responsável por estabelecer diretrizes para a elaboração dos Planos de Manejo Integrado do Fogo. Esses planos identificam áreas vulneráveis, mapeiam riscos e definem estratégias de prevenção, mobilização comunitária e combate às queimadas. O que é o Super El Niño? O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança altera a circulação dos ventos e interfere no regime de chuvas e temperaturas em várias partes do mundo. O fenômeno ocorre de forma natural, em intervalos que costumam variar entre dois e sete anos, e pode durar meses ou até mais de um ano. Seus efeitos não são os mesmos em todos os lugares: enquanto algumas regiões registram chuvas acima da média e maior risco de enchentes, outras enfrentam secas prolongadas, ondas de calor e condições favoráveis à propagação de incêndios florestais. Embora seja um fenômeno natural, especialistas alertam que seus efeitos podem ser agravados pelo aquecimento global, que aumenta a ocorrência de eventos climáticos extremos. Por isso, a capacidade de monitoramento, prevenção e resposta dos governos é considerada decisiva para reduzir prejuízos e proteger a população. A principal preocupação dos pesquisadores neste momento é entender a intensidade que o fenômeno poderá alcançar nos próximos meses. A classificação do El Niño depende do grau de aquecimento das águas do Pacífico. Quanto maior e mais persistente for esse aquecimento, mais forte tende a ser o evento. De forma simplificada, os meteorologistas consideram que um episódio é muito forte quando a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial permanece mais de 2°C acima da média histórica por vários meses consecutivos. Foi o que ocorreu em episódios considerados históricos, como os de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016. Esses eventos provocaram impactos significativos em diferentes partes do planeta, com registros de enchentes, secas severas, perdas agrícolas e ondas de calor. No Brasil, os impactos variam de acordo com a região. Historicamente, os episódios de El Niño costumam provocar aumento das chuvas no Sul do país. Já em áreas do Norte e do Nordeste, a tendência é de redução das precipitações e temperaturas mais elevadas. Por enquanto, os especialistas afirmam que ainda é cedo para saber se o fenômeno terá intensidade moderada, forte ou muito forte. As próximas medições da temperatura do Pacífico, especialmente durante a primavera, serão determinantes para essa avaliação. Cenário no país Dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), da UFRJ, apontam que a área queimada no Brasil caiu 39% em 2025 na comparação com a média registrada entre 2017 e 2024. A redução foi de 91% no Pantanal, 75% na Amazônia, 58% na Mata Atlântica e 45% no Pampa. Para reforçar a estrutura de combate ao fogo, o governo destinou recursos do Fundo Amazônia para a compra de equipamentos e a capacitação dos Corpos de Bombeiros dos estados da Amazônia Legal, do Cerrado e do Pantanal. Os investimentos somam R$ 555 milhões.

FONTE: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/05/31/risco-de-super-el-nino-faz-governo-montar-grupo-de-especialistas-para-monitorar-eventos-extremos.ghtml


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