Rio tem 68 voos panorâmicos por dia e 319 helicópteros; 28% das aeronaves descumprem altitude mínima

  • 10/08/2026
(Foto: Reprodução)
Rio tem 68 voos panorâmicos por dia e 319 helicópteros; 28% das aeronaves descumprem altitude mínima O Rio de Janeiro tem, em média, 68 voos panorâmicos por dia, segundo levantamento acompanhado pelo Ministério Público Federal (MPF), em meio ao crescimento da frota de helicópteros e a problemas de fiscalização da atividade. Dados da Aeronáutica mostram que 28% das aeronaves que operaram no Aeroporto de Jacarepaguá entre outubro de 2025 e abril de 2026 passaram abaixo da altitude mínima de 500 pés (150 metros). Os helicópteros representam 65% dos casos de descumprimento. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça O número de helicópteros também aumentou. Segundo a Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG), o Rio tem atualmente 319 helicópteros, contra 247 em 2023 — crescimento de 29% em três anos. Helicóptero da empresa Voos Rio Panorâmicos e Serviços Aeronáuticos (VRP) que caiu no Rio. Reprodução A falta de controle dos voos panorâmicos preocupa o MPF, que acompanha a atividade desde 2023, após receber reclamações de moradores de diferentes bairros da cidade. O procurador da República Sérgio Suiama afirmou ao RJ2 que, inicialmente, nem mesmo os órgãos reguladores tinham informações precisas sobre quais empresas operavam o serviço e quantos voos eram realizados. "Nós recebemos uma representação de Associações de Moradores do Joa em 2023, reclamando desses voos panorâmicos de helicóptero. Logo em seguida, nós recebemos representações de outros bairros também, sobretudo aqueles bairros em torno do Cristo Redentor e do bairro da Urca", disse o procurador. Segundo o procurador, o MPF passou então a levantar informações sobre a operação e a fiscalização do serviço. 68 voos panorâmicos por dia Entre 2024 e 2025, o MPF firmou um acordo com 14 empresas que operavam voos panorâmicos no Rio, entre elas a VRP, responsável pelo helicóptero que caiu no último sábado. Destroços do helicóptero que caiu perto da Vista Chinesa, na Zona Sul do Rio Divulgação O objetivo era estabelecer parâmetros mínimos de altitude e ruído para a atividade. Segundo Suiama, porém, o acordo não foi suficiente para controlar o crescimento do setor. "Hoje nós sabemos exatamente quem são as empresas que operam e qual é o número estimado de voos panorâmicos no Rio de Janeiro. Ano passado foram cerca de 25 mil voos, uma média então de 2 mil voos por mês e 68 voos por dia", disse Suiama. Para o procurador, é necessário buscar novas formas de fiscalização. "É a hora de nós realmente buscarmos uma solução mais eficaz no que diz respeito a esse controle aéreo de helicópteros de voos panorâmicos", afirmou o procurador. 28% das aeronaves ficaram abaixo de 150 metros Todo helicóptero ou avião que pousa ou decola no Aeroporto de Jacarepaguá precisa cruzar as avenidas das Américas e Abelardo Bueno a pelo menos 150 metros de altura, segundo as regras citadas na investigação do MPF. A medida busca aumentar a segurança e reduzir o impacto do ruído sobre os moradores da região. Um levantamento da Aeronáutica, porém, apontou que 28% das aeronaves que passaram pelo aeroporto entre outubro de 2025 e abril de 2026 voaram abaixo dos 500 pés, equivalentes a 150 metros. Os helicópteros correspondem a 65% dos casos de descumprimento. O levantamento faz parte de uma investigação do MPF sobre o ruído provocado pela atividade aérea na região. Protestos contra voos panorâmicos O aumento da atividade também provocou protestos de moradores da Zona Sul do Rio. Na quinta-feira (6), um grupo se manifestou pelo fim dos voos panorâmicos. André Tovar, integrante do grupo Rio Livre de Helicópteros, afirmou que o movimento não é contra voos considerados essenciais. "Ninguém aqui é contra voos necessários de Bombeiros, de polícia, de imprensa. Nada disso. São voos turísticos e panorâmicos que não podem mais, como em vários outros lugares do mundo, não podem sobrevoar áreas urbanas", explicou Tovar. Número de helicópteros cresceu 29% Segundo a Associação Brasileira de Aviação Geral, o Rio passou de 247 helicópteros em 2023 para 319 em 2026. O crescimento de 29% ocorre em um cenário no qual especialistas apontam que o sistema de controle do tráfego de helicópteros precisa ser revisto diante do aumento da circulação. Hoje, diferentemente do que ocorre com aviões, pilotos de helicópteros fazem a coordenação entre si por rádio para saber por onde e para onde voam. Para o especialista em gerenciamento de risco Gerardo Portela, o modelo pode apresentar dificuldades quando há um volume maior de aeronaves. "Isso fica por conta de cada piloto, eles precisam se entender no ar. Eles têm dificuldade de visualização, depende de um rádio muito disputado. São complicadores que precisam ser avaliados porque o tráfego aéreo aumentou muito", disse o especialista. Portela defende uma revisão dos procedimentos. "Então, no meu entendimento, acho que é uma oportunidade de melhoria. A ANAC deveria avaliar se não é o momento de elevar um pouco o nível de qualidade. Não que o outro processo seja inseguro. Ele não é seguro para um tráfego aéreo tão intenso". Quatro acidentes e 13 mortes em 2026 A discussão ganhou força após uma sequência de acidentes com helicópteros no Rio. Somente em 2026, foram quatro acidentes, com 13 mortes. Em junho, dois helicópteros colidiram no ar e caíram no Recreio dos Bandeirantes. Seis pessoas morreram. As investigações dos quatro acidentes ainda estão em andamento, segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Um dos helicópteros que caíram no Recreio Reprodução/TV Globo No último sábado, um helicóptero da empresa VRP que havia decolado do Aeroporto de Jacarepaguá com destino ao Cristo Redentor caiu. As imagens da câmera instalada na cabine serão analisadas pelo Cenipa. Após o acidente, a Prefeitura do Rio pediu à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que avalie mudanças nas normas para voos panorâmicos, incluindo a possibilidade de delimitar áreas específicas para a atividade. MPF avalia levar caso à Justiça Sérgio Suiama afirma que o acordo firmado com as empresas não foi suficiente para controlar os impactos da atividade. "Não houve justamente esse grande movimento esse grande fluxo de helicópteros e os transtornos causados por esse fluxo de helicópteros não foram então suficientemente controlados pelo TAC." Segundo ele, o acidente ocorrido na região do Parque Nacional da Tijuca aumentou a preocupação do MPF. "Esse é o quarto acidente como você lembrou que ocorreu apenas nesse ano no Rio de Janeiro dois desses acidentes envolveram voos panorâmicos com 13 mortes." O procurador afirmou que o MPF estuda recorrer à Justiça para cobrar uma atuação coordenada dos órgãos responsáveis pela fiscalização. "Eu acho que assim uma vez que já houve a tentativa de autorregulação e esta tentativa ela não se revelou eficaz nós temos a saída eu acho é buscar a via judicial", afirmou. Suiama citou a atuação de diferentes órgãos, como Anac, Aeronáutica, Prefeitura do Rio e Inea. "Então eu acho que esses órgãos têm que ser chamados provavelmente judicialmente pra que haja então essa coordenação" Helicóptero cai em Guaratiba Reprodução/RJ1 Para o procurador, atualmente existe uma divisão de responsabilidades que dificulta a fiscalização. "O que nós estamos percebendo hoje que nós percebemos já ao longo desse inquérito é um jogo de empurra." "Eu acho que é importante justamente chamar a responsabilidade desses órgãos que foram mencionados."

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/08/10/rio-tem-68-voos-panoramicos-por-dia-e-319-helicopteros-28percent-das-aeronaves-descumprem-altitude-minima.ghtml


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