Projeto da Ueap leva cursos de impressão 3D com reciclagem de garrafas PET a escolas do Amapá
28/05/2026
(Foto: Reprodução) Projeto da Ueap leva cursos de impressão 3D com reciclagem de garrafas PET a escolas
Um projeto da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) mostra como a reciclagem pode ganhar novas formas com a tecnologia. Pesquisadores e estudantes da instituição transformam garrafas PET em filamentos para impressoras 3D.
A iniciativa oferece cursos gratuitos nas escolas estaduais, para ensinar a comunidade a transformar as garrafas na matéria para a impressão, e aplicar a tecnologia em sala de aula.
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Os objetos produzidos podem ser usados na produção de peças de engenharia, utensílios domésticos e até brinquedos. O professor Felipe Tavares, líder do grupo de pesquisa , explica que a iniciativa une sustentabilidade e inovação.
“Reciclar deixou de ser apenas uma prática sustentável. Hoje é uma necessidade diante dos impactos ambientais. A impressão 3D é uma ferramenta que pode ajudar a reduzir o descarte irregular de plásticos”, afirmou.
Felipe Tavares, professor de Química na Ueap.
Isadora Pereira/g1
Segundo ele, impressoras 3D têm preços acessíveis, semelhantes aos de impressoras comuns. O professor explica que esse avanço tecnológico permite que qualquer pessoa, mesmo sem grandes investimentos, possa adquirir o equipamento e começar a produzir objetos em casa
“Com esse equipamento, qualquer pessoa pode produzir peças em casa, desde suportes de celular até componentes de máquinas. A ideia é mostrar que a reciclagem não precisa depender apenas de grandes empresas”, disse.
Objetos feitos por impressão 3D por meio do projeto.
Isadora Pereira/g1
O acadêmico de Engenharia Química Lucas Rafael participa da iniciativa como bolsista. Ele conta que o projeto trabalha para deixar em evidência a tecnologia em colaboração com a conscientização ambiental.
“Nosso propósito é evitar que as garrafas cheguem ao meio ambiente. A partir delas, conseguimos produzir filamentos e criar objetos em impressoras 3D. Uma garrafa PET pode levar até 600 anos para se decompor. Por isso, precisamos pensar em soluções que reduzam esse tempo e deem novos usos ao material”, afirma.
Lucas Rafael é acadêmico de Engenharia Química e participa da iniciativa como bolsista.
Isadora Pereira/g1
Sobre o processo
O processo começa com a transformação das garrafas PET em filamentos. Esses fios são usados nas impressoras 3D e passam por testes de resistência e temperatura.
“Não é só produzir o material reciclado, mas avaliar suas propriedades técnicas. Queremos entender se ele mantém a mesma resistência ou se perde qualidade rapidamente”, explica Tavares.
Coleta e limpeza: As garrafas PET são recolhidas e passam por um processo de higienização. É necessário retirar rótulos, cola e qualquer resíduo para garantir a qualidade do material.
Corte em fitas: depois de limpas, as garrafas são cortadas em tiras finas, que se tornam a base para o próximo estágio.
Filamento é produzido no Núcleo de Tecnologia da Ueap.
Isadora Pereira/g1
Aquecimento e fusão: as fitas passam por um bloco de aquecimento que atinge cerca de 240 a 250 graus. Nesse ponto, o plástico é derretido e começa a ganhar forma.
Produção do filamento: o material derretido é moldado em formato de fio contínuo, semelhante a uma corda. Esse filamento é ajustado para não ficar nem muito grosso nem muito fino, garantindo que funcione corretamente na impressora 3D.
Modelagem e impressão: com o filamento pronto, ele é colocado na impressora 3D. A partir daí, softwares de modelagem permitem criar objetos diversos, desde suportes de celular até peças para robótica.
Materiais que realizam o processo da impressão do material 3D com o filamento de garrafa PET
Isadora Pereira/g1
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Cursos gratuitos
Em 2025, foram realizados três mini cursos gratuitos, com duração de dois a três dias, voltados para a comunidade. Bolsistas de extensão ensinaram como transformar garrafas PET em filamentos e usar impressoras 3D.
Neste ano, o projeto foi ampliado para escolas, com previsão de atender estudantes e professores. Na última semana, o Colégio Amapaense recebeu o projeto.
“Queremos que os alunos aprendam a construir peças e vejam na prática como a tecnologia pode ser usada para reciclar”, destaca o professor.
Fio para filamento é produzido com material de garrafa PET reciclado, no Amapá.
Isadora Pereira/g1
Projeto é desenvolvido na Universidade do Estado do Amapá.
Isadora Pereira/g1
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