Paulo Betti defende a escrita à mão e revela como anotações da família viraram peça, na Flib
08/07/2026
(Foto: Reprodução) Paulo Betti diz que escrever à mão ajuda a refletir sobre a vida na Flib
"Quem lê já está mais situado, porque você vive outras vidas lendo".
Foi com essa reflexão que o ator, autor e diretor Paulo Betti abriu sua participação na Feira Literária de Bonito (Flib) 2026, na noite de terça-feira (7). Conhecido por papéis em novelas da TV Globo, ele apresentou o monólogo "De Carona com a Cultura" durante a cerimônia de abertura do evento. Veja o vídeo acima.
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A Flib segue até domingo (12), com programação cultural gratuita em Bonito, principal destino de ecoturismo de Mato Grosso do Sul.
As anotações que viraram peça
Paulo Betti participou e evento em Bonito.
Lucas Oliver/g1 MS
Paulo Betti contou que o monólogo nasceu de décadas de anotações feitas em cadernos e pedaços de papel. Ao longo dos anos, ele registrou histórias e situações vividas pela própria família.
"A minha peça é resultado de anotações que fiz o tempo todo, em cadernos, em pedaços de papel, num cadernão que tive durante um período muito longo, coisas que aconteciam na minha casa, entre meus pais, dificuldades que a gente tinha. Eu anotava. Na hora que fui fazer a peça, estava tudo pronto, porque eu já tinha anotado", afirmou.
Para o ator, o hábito de anotar tem um efeito quase terapêutico. "Acho que há um processo praticamente psicanalítico na anotação. À medida que você vive uma situação familiar ou tudo mais, você anota aquilo que você vivenciou, você está fazendo uma reflexão", explicou.
Durante a pandemia, Paulo Betti digitalizou cadernos antigos e encontrou relatos de momentos que já havia esquecido por completo. "Tinha coisas que eram tão extraordinárias, e simplesmente eu não lembrava de ter vivido aquelas situações", disse, citando que até a filha, Juliana, não se recordava de episódios que ele havia anotado décadas atrás.
Escrita manual na era da inteligência artificial
Ao falar sobre o avanço da inteligência artificial e das tecnologias digitais, Paulo Betti defendeu a importância de manter o hábito da escrita à mão. Como exemplo, citou a Suécia, que voltou a incentivar o ensino da caligrafia nas escolas após ampliar a digitalização do ensino.
"Eles tinham digitalizado todo o ensino, e agora não regrediram, voltaram a dar importância para os cadernos de caligrafia, para a manuscritura", disse.
Segundo ele, há uma diferença entre digitar e escrever à mão: "Há também, na escrita manual, um processo que é somente o desenho da letra, é diferente da digitação. Então eu incentivo muitas pessoas a anotarem e tomarem nota, se possível de forma manuscrita".
Literatura regional, indígena e infantil
Paulo Betti destacou a importância da localização da Flib numa região com forte presença de comunidades indígenas.
"Isso é muito bacana, porque provoca uma troca aqui. Tem vindo escritores de fora que fazem uma troca com o pessoal daqui, se estabelecem relações de troca de informações", afirmou.