Mudança climática dobrou chance de condições que alimentaram incêndios no Canadá, aponta estudo
06/08/2026
(Foto: Reprodução) Cidade de Toronto coberta pela fumaça de incêndios florestais em 15 de julho de 2026
Reuters/Kyaw Soe Oo
As mudanças climáticas provocadas pela ação humana tornaram cerca de duas vezes mais prováveis as condições extremas que favoreceram os recentes incêndios florestais no Canadá.
Isso é o que aponta um novo estudo da World Weather Attribution (WWA), grupo internacional de cientistas especializado em analisar a influência do aquecimento global em eventos extremos.
A pesquisa analisou os incêndios em Ontário e nos Territórios do Noroeste, duas das áreas mais afetadas pelo fogo desde o início de julho.
Milhares de pessoas precisaram deixar suas casas e milhões foram expostas a níveis perigosos de fumaça.
Ao todo, mais de 3,8 milhões de hectares já foram queimados no Canadá neste ano — uma área equivalente a cerca de duas vezes o estado de Sergipe.
Segundo os pesquisadores, o aquecimento global aumentou a ocorrência de períodos quentes e secos, que deixam a vegetação mais inflamável e facilitam tanto o avanço quanto a intensidade das chamas.
📝 Contexto:
O estudo não analisou se a mudança climática iniciou diretamente cada incêndio. O fogo pode começar por diferentes causas, como raios ou ação humana.
O que os cientistas investigaram foram as condições do tempo que permitem que as chamas cresçam rapidamente, se espalhem por grandes áreas e se tornem mais difíceis de controlar.
Entre essas condições estão temperaturas elevadas, pouca umidade, falta de chuva e vegetação ressecada.
Esse tipo de pesquisa é chamado de estudo rápido de atribuição. Ele compara o clima atual, já aquecido pela emissão de gases do efeito estufa, com um cenário hipotético sem a influência da queima de petróleo, carvão e gás.
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No clima atual, condições tão favoráveis ao fogo podem ocorrer uma vez a cada dois a seis anos nos Territórios do Noroeste e a cada seis a 15 anos em Ontário.
Sem a mudança climática, seriam esperadas menos de uma vez a cada 40 anos. Ao combinar registros meteorológicos e modelos, os pesquisadores concluíram que o aquecimento provocado pelo ser humano tornou esses episódios duas vezes ou mais prováveis.
“Desde 2023, os incêndios que vimos em todo o Canadá têm sido fundamentalmente diferentes em escala e intensidade”, afirmou Theodore Keeping, pesquisador do Imperial College London.
Segundo ele, os Territórios do Noroeste registraram uma atividade do fogo equivalente à do pior ano já observado para esta época, enquanto a área queimada no noroeste de Ontário já está perto do dobro do recorde anterior.
Para chegar aos resultados, os cientistas analisaram os períodos de sete e 30 dias com as condições mais severas para incêndios nas duas regiões.
Também avaliaram as chuvas dos 24 meses anteriores e compararam o clima atual com simulações de um mundo sem o aquecimento causado pelas emissões humanas.
A rápida propagação e a ocorrência simultânea de incêndios pressionaram as equipes de resposta, mesmo com o aumento dos investimentos em prevenção e combate.
Segundo a WWA, comunidades indígenas foram afetadas de forma desproporcional e aparecem em maior número entre as populações retiradas de áreas de risco.
"Vemos repetidamente os mesmos resultados: a mudança climática é um fator central por trás de incêndios de proporções inéditas e difíceis de controlar. Isso não deveria ser uma surpresa. A ciência é clara há décadas: a queima de combustíveis fósseis está tornando esses incêndios mais frequentes, mais intensos e mais difíceis de conter", afirmou Friederike Otto, professora de Ciência do Clima do Imperial College London.
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