Minhoca na Cabeça atinge 3,1 mil kits e prepara nova etapa em Florianópolis
28/08/2026
(Foto: Reprodução) Cascas de frutas e verduras, restos de alimentos e outros resíduos que antes poderiam terminar no lixo comum passaram a ter outro destino em milhares de casas de Florianópolis. Criado em 2018 para incentivar a compostagem doméstica, o programa Minhoca na Cabeça atingiu em agosto a marca de 3.100 minhocários distribuídos pela Prefeitura e já prepara uma nova etapa diante da procura de moradores interessados em aderir à iniciativa.
Com a meta atual alcançada, os inscritos mais recentes já foram agendados para receber as últimas unidades disponíveis. Novas inscrições estão temporariamente suspensas, enquanto uma nova licitação está em andamento para permitir a aquisição de kits e a entrada de mais participantes.
O resultado, segundo o coordenador do programa, Marcelo Luiz Zapelini, mostra que a iniciativa ganhou espaço entre os moradores e não termina com o alcance da meta. “Graças ao sucesso, o projeto Minhoca na Cabeça já se tornou um programa e não se encerra com o atingimento da meta de distribuir 3.100 minhocários. Na verdade, embora esse número mereça ser comemorado, ainda há muitas pessoas a serem conquistadas pelo Minhoca na Cabeça”, afirma.
Cerca de 99 toneladas de resíduos deixam de ir ao aterro por mês
Andy Puerari/PMF
Resíduos deixam de percorrer o caminho até o aterro
Cada residência participante destina, em média, 32 quilos de resíduos orgânicos por mês ao minhocário. Considerando os 3.100 sistemas em funcionamento, são aproximadamente 99 toneladas mensais que podem deixar de seguir para o aterro sanitário em Biguaçu.
O volume equivale à capacidade aproximada de 35 caminhões utilizados na coleta exclusiva de resíduos orgânicos. Em um ano, a compostagem realizada pelos participantes pode evitar o envio de cerca de 1,19 mil toneladas ao aterro. Segundo a coordenação do programa, a economia estimada com a destinação chega a aproximadamente R$ 300 mil por ano.
Mas os efeitos podem ultrapassar a redução do volume de lixo. Zapelini explica que a mudança de hábito também influencia a relação das famílias com a alimentação e com os resíduos produzidos em casa.
“A compostagem domiciliar não resulta apenas na redução dos resíduos enviados ao aterro sanitário. Mais do que ganho financeiro para o município, ela representa ganho de qualidade de vida para o munícipe participante”, destaca.
Segundo ele, há relatos de participantes que passaram a prestar mais atenção ao desperdício e até a rever hábitos alimentares. O húmus e o biofertilizante produzidos pelo minhocário também podem ser utilizados em hortas, jardins e vasos, estimulando o cultivo doméstico.
Programa reduz o volume de resíduos enviados ao aterro sanitário
Andy Puerari/PMF
Da cozinha para o minhocário
Na casa da professora Gisele Hohgraefe, onde vivem quatro adultos, a compostagem já faz parte da rotina. Um balde de cinco litros permanece ao lado do fogão para receber os resíduos orgânicos produzidos durante o preparo das refeições. Quando está cheio, o conteúdo segue para o minhocário e é misturado à matéria orgânica seca. “A gente costuma encher, em média, de três a quatro baldinhos de cinco litros por semana. Isso reduziu muito a quantidade de rejeitos”, conta Gisele.
A experiência também chegou à escola. Ao trabalhar o tema com os estudantes, a professora percebe que a presença das minhocas ajuda a despertar a curiosidade e a mudar a percepção sobre aquilo que normalmente seria tratado apenas como lixo.
“Só o fato de saber que colocar os resíduos orgânicos no residuário correto contribui para a alimentação delas já muda a perspectiva de lixo para alimento. Os estudantes sempre ficam impressionados com a transformação dos resíduos em adubo”, relata.
Hoje, Gisele também realiza oficinas sobre compostagem. Antes de começar, porém, tinha receios comuns a quem ainda não conhece o processo, como a possibilidade de mau cheiro ou de atração de animais.
“Eu decidi me desafiar e o resultado foi surpreendente. Hoje eu dou até oficinas de como fazer e, com muita tranquilidade, explico que, se colocar os resíduos orgânicos secos e úmidos na ordem e proporção correta, não tem como dar errado”, afirma.
Minhocas ajudam moradores a dar novo destino aos resíduos orgânicos
Andy Puerari/PMF
Como funciona o Minhoca na Cabeça
Os kits disponibilizados pela Prefeitura contam com quatro caixas plásticas, insumos necessários para iniciar o processo e minhocas californianas. Antes de receber o equipamento, os participantes passam por capacitação para aprender a fazer o manejo corretamente.
O sistema funciona a partir da transformação dos resíduos orgânicos pelas minhocas, que produzem húmus. O cuidado cotidiano é relativamente simples e envolve principalmente abastecer as caixas, observar a umidade e retirar o material produzido.
O minhocário deve permanecer em local sombreado e arejado, protegido do sol e do calor excessivo. Alimentos muito ácidos ou condimentados devem ser usados com moderação, enquanto resíduos de origem animal e derivados devem ser evitados. Também é necessário impedir que o material fique excessivamente úmido ou compactado.
Depois de aproximadamente três meses, o húmus já pode começar a ser retirado enquanto outra caixa continua recebendo novos resíduos.
Programa prepara nova etapa após alcançar a marca de 3,1 mil kits
Andy Puerari/PMF
Programa terá continuidade
Com as 3.100 unidades previstas nesta etapa já destinadas, o programa concentra agora os esforços no atendimento dos inscritos que aguardam os últimos kits. Neste momento, não serão abertas novas datas para inscrições.
A Prefeitura, porém, já trabalha na continuidade da iniciativa. Uma nova licitação está em andamento para viabilizar mais equipamentos e permitir que outros moradores ingressem no programa.
“A demanda permanece, e uma nova licitação está em andamento para atender novos participantes. Percebemos que muitas pessoas que conhecem o programa Minhoca na Cabeça continuam procurando a iniciativa, enquanto há inúmeros futuros interessados que ainda não a conhecem”, explica Zapelini.
Para Gisele, a mudança provocada pela compostagem também está na relação com aquilo que é produzido e descartado dentro de casa. “Eu amo compostar, pois saber que estou alimentando a terra gera uma conexão muito profunda e uma sensação de que eu sou parte da natureza”, resume.
Conforme Lei nº 10.199, a Prefeitura informa que a produção deste conteúdo não teve custo e sua veiculação custou em média R$ 2.550,00.
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