Manoel Carlos transformou o cotidiano em histórias que marcaram a televisão

  • 10/01/2026
(Foto: Reprodução)
Manoel Carlos transformou o cotidiano em histórias que marcaram a televisão Manoel Carlos tinha olhos treinados para enxergar o que o coração costuma sentir. Sabia reconhecer dramas humanos capazes de tocar o público. Ao longo da carreira, construiu histórias marcadas por grandes e pequenas emoções, traduzidas em cenas do cotidiano. Em "Laços de Família", por exemplo, abordou a leucemia ao retratar a personagem de Carolina Dieckmann, que raspava a cabeça em uma das cenas mais marcantes da teledramaturgia. Para Manoel Carlos, as histórias precisavam soar como um bate-papo. Ele gostava de reunir personagens em torno da mesa, em almoços e jantares, momentos em que as famílias se encontram. Era assim que buscava retratar a vida como ela é, com o amor como tema central. Costumava dizer que o amor, o ódio, a inveja e o ciúme se parecem em todas as línguas, e que ouvia conversas em cafés e bares para observar como as pessoas se relacionam. Morador do Leblon, na Zona Sul do Rio, Maneco (como preferia ser chamado) transformou o bairro no principal cenário de suas novelas. Amava o Rio, embora não fosse carioca. Nasceu em São Paulo, em 1933, filho de um comerciante e industrial e de uma professora. A carreira, que durou mais de sete décadas, começou nos palcos. Aos 18 anos, recebeu o primeiro papel como ator na TV Tupi. Passou por várias emissoras, onde atuou como ator e roteirista, e adaptou mais de cem teleteatros. Manoel Carlos transformou o cotidiano em histórias que marcaram a televisão Reprodução/TV Globo Autodidata, nunca terminou a faculdade. Aprendeu a escrever observando o cotidiano e mergulhando nos livros, paixão que cultivou desde jovem, frequentando bibliotecas públicas. A trajetória na Globo começou em 1972. Foi diretor-geral e um dos criadores do "Fantástico". As primeiras novelas foram adaptações de livros. Ao longo dos anos, Maneco nunca estabeleceu uma rotina de trabalho, mas mantinha a porta do escritório aberta, pronto para ouvir sugestões. Costumava dizer que o telespectador era o verdadeiro dono da novela. Com carinho especial pelos personagens femininos, criou protagonistas que entraram para a história da televisão. Nas novelas de maior sucesso, elas tinham o mesmo nome: Helena. Inspiradas na mitologia grega, as Helenas de Manoel Carlos eram mulheres batalhadoras, fortes, que perdiam e se reerguiam. A última delas foi interpretada por Júlia Lemmertz, em "Em Família", em 2014. A mãe da atriz, Lilian Lemmertz, havia sido a primeira Helena, em "Baila Comigo", em 1981. Para criar as tramas, Manoel Carlos muitas vezes se inspirava em notícias de jornal. Por Amor nasceu de uma reportagem sobre troca de bebês no interior do Ceará, dando origem a uma das cenas mais emblemáticas da televisão brasileira. Maneco também ficou conhecido por usar as novelas como espaço de conscientização social. Abordou temas como doação de medula óssea, alcoolismo, violência contra a mulher, criminalidade nas grandes cidades, preconceito contra idosos e inclusão de pessoas com deficiência. "Viver a Vida", exibida em 2009, foi a primeira novela a mostrar detalhadamente a rotina de uma pessoa que passa a viver em uma cadeira de rodas. Apesar de retratar finais felizes na ficção, Manoel Carlos viveu tragédias pessoais profundas. Em 90 anos de vida, teve cinco filhos e perdeu três deles. Ricardo morreu em 1988, Manoel Carlos Júnior em 2012 e Pedro Almeida, o caçula, em 2014 — o mesmo ano em que escreveu sua última novela. Também é pai da atriz Júlia Almeida e de Maria Carolina. Costumava dizer que não há remédio para o luto e que cada perda foi uma apunhalada. Meticuloso, participava de todas as etapas da produção, da escolha do elenco às trilhas sonoras. Sua marca ficou registrada em cada trabalho. Em nove décadas de vida, nunca se cansou de repetir que é preciso ser feliz. Para ele, o desejável era que houvesse finais felizes — e que o telespectador pudesse realizar esse sonho, ao menos na ficção. Foi assim que Manoel Carlos espalhou felicidade em forma de histórias, personagens inesquecíveis, Helenas eternas e muito amor, especialmente nas ruas do Leblon. De cá, fica o agradecimento por ter feito o público tão feliz.

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/01/10/manoel-carlos-transformou-o-cotidiano-em-historias-que-marcaram-a-televisao.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Raridade

Anderson Freire

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes