Hostel clandestino cobrava R$ 100 por diária de migrantes cubanos traficados em Boa Vista

  • 06/02/2026
(Foto: Reprodução)
Operação mira esquema de tráfico de cubanos pela fronteira do Brasil com a Guiana O esquema de tráfico humano investigado pela Polícia Civil mantinha um hostel clandestino localizado no bairro Tancredo Neves, na zona Oeste de Boa Vista que abrigada os migrantes cubanos traficados. Era cobrado R$ 100 por diária, valor que incluía hospedagem e alimentação. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp O local foi identificado durante a Operação Malecón, deflagrada nesta quinta-feira (5). Havia 30 camas nos quartos. Um homem venezuelano identificado como José Alberto Lira Lezama, de 32 anos, foi preso suspeito de comandar o esquema. Também foram apreendidos R$ 12 mil em espécie. O g1 tenta contato com a defesa de José Alberto. A Polícia Civil estima que ao menos 200 migrantes cubanos foram vítimas desde novembro de 2025. O esquema usava a fronteira do Brasil com a Guiana como rota de entrada no país. LEIA TAMBÉM: Operação mira esquema de tráfico de cubanos pela fronteira do Brasil com a Guiana Polícia estima que 200 cubanos foram vítimas de esquema de tráfico humano pela fronteira do Brasil com a Guiana em 3 meses Segundo a Polícia Civil, o hostel funcionava sem alvará ou qualquer autorização legal e fazia parte da estrutura logística usada pela organização criminosa para manter os migrantes na capital até o envio para outros estados brasileiros. “Nós encontramos cerca de 30 camas nesse local, que funcionava como um hostel clandestino. Era uma estrutura organizada, montada especificamente para dar apoio logístico a esses migrantes”, explicou o delegado Hugo Cardias, da Delegacia de Repressão aos Crimes Organizados (Draco). Além do valor da diária, eram cobrados separadamente por outros serviços e produtos, como chips de telefone, adaptadores de tomada e transporte, todos vendidos a preços considerados pela polícia como "inflacionados". “Essas pessoas eram extorquidas em todos os elos do esquema. Cada serviço era cobrado à parte, sempre com valores acima do normal”, detalhou Hugo Cardias. No momento do cumprimento do mandado de busca e apreensão, não havia migrantes no local, pois eles teriam deixado o imóvel pouco antes da chegada dos policiais. Estrutura cresceu com aumento do fluxo Ainda segundo a Polícia Civil, o grupo criminoso atuava inicialmente usando residências particulares para abrigar os migrantes. Com o aumento do número de cubanos trazidos ao Brasil, foi necessário montar uma estrutura maior, que passou a funcionar como hostel. As apurações indicam que o imóvel funcionava como hospedagem clandestina há cerca de três meses, período em que ao menos 200 cubanos teriam passado pela estrutura. No entanto, a atuação do grupo no tráfico de pessoas ocorre há aproximadamente um ano, segundo a polícia. Rota internacional Polícia Civil apreendeu R$ 12 mil em espécie durante a Operação Malecón Polícia Civil/Divulgação De acordo com a Polícia Civil, os cubanos eram aliciados ainda em Cuba e seguiam de avião até Georgetown, na Guiana. De lá, entravam no Brasil por via terrestre, passando por Lethem, no país vizinho, até chegar a Boa Vista, em Roraima. A rota tem sido utilizada porque os cubanos enfrentam dificuldades para obter visto de turismo ou trabalho para entrar diretamente no Brasil. “Eles optam por essa rota porque não há exigência de visto para entrada na Guiana. A partir daí, fazem o percurso terrestre até o Brasil, utilizando o apoio de coiotes e de uma rede criminosa estruturada”, explicou Wesley Costa de Oliveira, delegado titular da Draco. Segundo o delegado, Roraima vem se consolidando como rota internacional de tráfico de pessoas, especialmente de migrantes cubanos, em um cenário semelhante ao já observado anteriormente com venezuelanos. Estrutura criminosa As investigações indicam que a organização era dividida em núcleos, cada um responsável por uma etapa do esquema. Um grupo cuidava do deslocamento entre a Guiana e Boa Vista, outro era responsável pelo alojamento dos migrantes na capital, enquanto um terceiro organizava o envio das vítimas para outros estados brasileiros, por meio de ônibus ou avião. Boa parte dos cubanos tinha como destino cidades como Manaus, Curitiba, Brasília e São Paulo, segundo a polícia. Operação Malecón cumpriu mandados nos bairros Buritis e Tancredo Neves, na zona Oeste Polícia Civil/Divulgação Além do tráfico de pessoas, o grupo também é investigado por estelionato, já que passagens aéreas eram emitidas com milhas furtadas de vítimas em outros estados. Em alguns casos, os cubanos eram impedidos de embarcar ao tentarem viajar. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e apurar a atuação de possíveis novas células do esquema criminoso. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/02/06/hostel-clandestino-cobrava-r-100-por-diaria-de-migrantes-cubanos-traficados-em-boa-vista.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Raridade

Anderson Freire

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes