Eleições 2026: veja propostas dos candidatos ao governo de MT para o meio ambiente
22/09/2026
(Foto: Reprodução) Candidatos ao Governo de Mato Grosso
Montagem/g1
Os candidatos ao governo de Mato Grosso nas eleições de 4 de outubro terão entre os principais desafios a pressão da mineração sobre o território e as terras indígenas, além do combate aos impactos ambientais durante o período de seca. O g1 reuniu as principais propostas dos candidatos para enfrentar os impactos ao meio ambiente no estado (confira abaixo).
Entre 2018 e 2025, o número de processos minerários no estado saltou de 5.926 para 13.627, um crescimento de quase 130%, segundo dados da Operação Amazônia Nativa (Opan). Ao todo, os processos abrangem cerca de 22,5 milhões de hectares, o equivalente a 24,9% do território mato-grossense. O levantamento aponta ainda que 93% das terras indígenas do estado estão sob pressão da mineração.
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Mato Grosso está entre os 3 estados que mais sofreram com as queimadas em 4 décadas
Na Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda, a 483 km de Cuiabá, a área devastada pelo garimpo ilegal equivale a pouco mais de 4 mil campos de futebol. Além da pressão da mineração, os focos de incêndio continuam sendo um problema para Mato Grosso durante o período de seca, quando o risco de queimadas aumenta no estado.
O papel do governador
O governador é responsável por administrar o estado, executar as leis, gerir o orçamento público e definir as prioridades de investimento. Também cabe ao governo estadual implementar políticas públicas em áreas como segurança, saúde, educação e assistência social.
No meio ambiente, o governo do estado pode, por exemplo, fortalecer a fiscalização e o combate ao desmatamento e às queimadas, proteger áreas de preservação, recuperar áreas degradadas e investir em ações de conservação dos recursos hídricos e da biodiversidade.
Confira abaixo as principais propostas dos candidatos ao governo de Mato Grosso para a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável:
Principais propostas dos candidatos ao governo de MT para o meio ambiente
Entenda as propostas:
Dra. Natasha (PSD):
Orçamento Proporcional: Recomposição da verba ambiental da Secretaria e ampliação do efetivo de fiscalização dimensionados ao tamanho do território mato-grossense, sob o diagnóstico de que a área ambiental recebia fatia orçamentária insuficiente;
Força-Tarefa Integrada: Integração direta entre os órgãos ambientais e as forças de segurança pública contra o desmatamento ilegal, o garimpo clandestino e a extração mineral irregular;
Produtor e Regularização: Universalização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) digital e parceria com o produtor regularizado;
ICMS Ecológico: Revisão dos critérios de repasse do ICMS Ecológico para remunerar quem efetivamente protege o território;
Monitoramento das Águas: Implementação e publicação de resultados do monitoramento estadual da qualidade da água dos rios;
Preservação: Programas em parceria com produtores rurais para recuperação de nascentes e matas ciliares, além da responsabilização de poluidores;
Neutralidade de Carbono Auditada: Publicação periódica de relatórios de emissões e do avanço das metas de carbono neutro, auditados e verificados por instituições independentes;
Diversificação e Bioeconomia: Incentivo à bioeconomia e alinhamento da expansão do ensino profissionalizante a cadeias da economia verde, agroecologia e arranjos produtivos locais;
Crédito e extensão rural para a agricultura familiar: criar linhas de financiamento e assistência técnica exclusivas para pequenos produtores, visando corrigir a desigualdade no acesso ao crédito e incentivar cultivos de maior valor agregado. A proposta prevê a ampliação da renda por hectare do setor sem reduzir os incentivos ao agronegócio de grande escala focado no cumprimento das leis e compromissos socioambientais, como a Moratória da Soja;
Educação Ambiental: Inclusão da educação ambiental como eixo formativo permanente ligado aos três biomas de Mato Grosso;
Turismo de Natureza: Criação de política estadual para o ecoturismo, observação de fauna e turismo de base comunitária no Pantanal, Chapada dos Guimarães e Araguaia.
Maurício Coelho (Mobiliza)
Programa Estadual de Recuperação Produtiva de Áreas Degradadas: foco na recuperação de pastagens e solos através de assistência técnica, crédito, rotação de culturas, plantio direto e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF);
Integração com Regularização: os projetos serão vinculados aos instrumentos legais já existentes, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Programa de Regularização Ambiental (PRA) e o PRADA;
Incentivos por Resultados: produtores que aderirem receberão incentivos condicionados a indicadores verificáveis, como aumento da produtividade respeitando a capacidade do solo, infiltração de água e redução de risco de incêndio;
Foco no Pequeno Produtor e Assentamentos: o programa priorizará pequenos produtores e a agricultura familiar, enquanto apoiará médias e grandes propriedades com crédito, pesquisa e certificação;
Plano ABC: execução em escala estadual das tecnologias de baixa emissão de carbono para combinar a recuperação produtiva com o tratamento de dejetos e florestas plantadas;
Programa Água e Território Vivos: gestão organizada por bacias hidrográficas, com planos específicos contendo metas, responsáveis, cronogramas e financiamento;
Fortalecimento dos Comitês de Bacia: atuarão como um "Parlamento das Águas", com a participação de municípios, produtores, universidades e comunidades para definir prioridades;
Recuperação de Nascentes e Erosões: o Fundo Estadual de Recursos Hídricos financiará a proteção de matas ciliares, controle de erosões (voçorocas) e áreas de recarga;
Microbacias Urbanas: as cidades reurbanizarão suas microbacias com drenagem adequada, parques lineares, jardins de chuva e saneamento, deixando de tratar os rios como canais de escoamento;
Monitoramento Público: criação de uma rede integrada de monitoramento da qualidade e quantidade de água, publicando dados de vazão, outorgas e obras por bacia;
Jornada Digital Única: integração de todos os sistemas estaduais (CAR Digital, SIMCAR, SIGA, SIMGEO, SISFLORA) em uma plataforma com número único de processo, prazos visíveis e checklists públicos;
Licenciamento por Risco: processos de baixo impacto terão rito simplificado e prazo definido; os de impacto médio receberão vistorias e condicionantes; e empreendimentos de alto risco passarão por estudos aprofundados;
Uso de Inteligência Artificial: a IA auxiliará na organização de documentos e no cruzamento de mapas e imagens de satélite para indicar áreas de risco, mantendo a decisão final a cargo do servidor competente;
Fiscalização Proativa: o Estado usará alertas de satélite, histórico de imóveis e notas fiscais para fiscalizar preventivamente, não dependendo apenas de denúncias;
Descentralização da SEMA: fortalecimento dos escritórios regionais (Alta Floresta, Barra do Garças, Cáceres, Confresa, Guarantã do Norte, Juína, Rondonópolis, Tangará da Serra e Sinop) com autonomia operacional;
Acompanhamento Pós-Licença: as condicionantes das licenças terão prazos, indicadores e acompanhamento ao longo da vida do empreendimento;
Programa Mato Grosso Circular: implementação gradual de coleta seletiva, triagem regional, compostagem de orgânicos e logística reversa;
Consórcios Intermunicipais: o Estado apoiará financeiramente a união de municípios próximos para compartilhar equipamentos, caminhões, centrais de triagem e aterros;
Apoio a Cooperativas de Catadores: os catadores serão formalizados e remunerados pela prestação do serviço ambiental (coleta e triagem), e não apenas pelo preço do material vendido;
Equipamentos e Segurança: fornecimento de equipamentos de proteção (EPIs), prensas, balanças e capacitação para as cooperativas;
Logística Reversa Setorial: o governo organizará acordos com o comércio e a indústria para dar destinação adequada a embalagens, pneus, eletrônicos e medicamentos;
Transparência via SINIR: os municípios deverão publicar no Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos as quantidades coletadas, recicladas e enviadas a aterros, bem como os custos envolvidos.
Otaviano Pivetta (Republicanos)
Modernização e automação ambiental: análise Automatizada do CAR: Implementar a análise automatizada do Cadastro Ambiental Rural (CAR) nos municípios para acelerar a regularização ambiental dos imóveis rurais e permitir foco técnico em casos mais complexos;
Transformação Digital e Celeridade: ampliar a digitalização, automação e uso de novas tecnologias para reduzir a burocracia, custos e tempo de resposta aos processos ambientais para o cidadão e o empreendedor;
Programa Estadual de Bioeconomia e Clima: articular instituições de pesquisa, setor produtivo e órgãos ambientais, de forma integrada, a iniciativas já consolidadas como o Programa REM MT;
Tecnologias de Baixo Carbono: fomentar o desenvolvimento e a adoção de bioinsumos, energias renováveis, eficiência energética e sistemas produtivos sustentáveis;
Proteção aos Biomas mato-grossenses: apoiar a biotecnologia voltada ao aproveitamento sustentável dos recursos do Cerrado, Pantanal e Amazônia;
Internacionalização da Produção Verde: projetar Mato Grosso como referência global em rastreabilidade, tecnologias verdes e créditos de carbono sob a marca 'Made in Mato Grosso';
Fortalecer a política de regularização ambiental e fundiária das unidades de conservação do Estado;
Promover a utilização sustentável das Unidades de Conservação do Estado através do incentivo ao ecoturismo;
Apoiar iniciativas de uso sustentável da floresta: mecanismo de redução dos índices de desmatamento;
Fortalecer a política estadual de prevenção e combate aos incêndios florestais: ampliar o monitoramento, a capacidade operacional, o uso de inteligência e novas tecnologias, a atuação integrada entre os órgãos públicos e o apoio aos municípios e produtores rurais na prevenção do fogo;
Implantação do plano Pantanal Resiliente ao Fogo: estruturar o manejo integrado do fogo, manutenção permanente de aceiros e brigadas operacionais de pronta resposta.
Rafael Millas (Missão)
Digitalização e Inteligência Artificial: Reestruturação do Sistema Integrado de Monitoramento e Licenciamento Ambiental (SIMLAM) da SEMA-MT, utilizando IA para análise automatizada de processos de baixo risco;
Redução de Prazos: Meta de reduzir o tempo médio de abertura e concessão de licenciamento ambiental para indústrias de médio risco para menos de 30 dias;
Etapas de Execução: Prevê a emissão pela SEMA-MT das licenças prévias e de instalação para eixos rodoviários estaduais nos meses 13 a 24 da gestão.
Complexo da Madeira Legalizada: Incentivo ao polo de silvicultura e indústrias de base florestal sustentável nas regiões Norte e Noroeste, condicionando e vinculando a concessão de crédito à certificação de origem do manejo florestal;
Operação "Tormenta do Cerrado": Força-tarefa integrada e permanente envolvendo Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Corpo de Bombeiros para combate a crimes ambientais organizados, grilagem de terras públicas e privadas, e desarticulação de bases logísticas do tráfico.
Ferrogrão (EF-170): Atuação político-diplomática e técnica junto ao Governo Federal, ao STF e ao Ministério dos Transportes para destravamento do licenciamento ambiental do traçado de 933 km entre Sinop (MT) e Miritituba (PA);
Hidrovias Sustentáveis: Dragagem de manutenção, balizamento e sinalização da Hidrovia do Rio Paraguai (trecho Cáceres–Corumbá) e realização de estudos de viabilidade ambiental para o aproveitamento do Rio Teles Pires, garantindo a navegabilidade com respeito à legislação ambiental vigente.
Sargento Laudicério (Agir)
Combate a crimes ambientais: Integração da fiscalização ambiental com inteligência e segurança pública, focando em combater o desmatamento e o garimpo ilegais e desarticular cadeias econômicas ilícitas;
Regularização ambiental: Agilização das análises de cadastros e programas de regularização para proporcionar segurança jurídica aos produtores rurais em conformidade com a lei;
Licenciamento digital: Modernização e integração de sistemas para criar fluxos de licenciamento mais rápidos para atividades de baixo impacto, mantendo exigências para atividades de maior risco;
Segurança hídrica: Elaboração do Plano Estadual de Segurança Hídrica para mapear demandas, riscos de escassez e proteger mananciais;
Observatório e Gestão de Bacias: Criação de um observatório de bacias e implementação de planos territoriais focado em nascentes, combate à erosão e recuperação de matas ciliares;
Saneamento e Resíduos: Ampliação do acesso à água tratada e tratamento de esgoto, além do incentivo à reciclagem, logística reversa e apoio a consórcios para o encerramento de lixões;
Combate a incêndios: Fortalecimento do monitoramento, das brigadas de incêndio e da capacidade de resposta do Corpo de Bombeiros em parceria com municípios e produtores;
Resiliência municipal: Apoio técnico aos municípios para planos de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos (queimadas, secas e enchentes);
Serviços ambientais: Criação de mecanismos de pagamento e incentivo financeiro para reconhecer práticas sustentáveis de conservação e recuperação;
Estratégias por bioma: Diretrizes específicas voltadas para o Pantanal, Cerrado e Amazônia mato-grossense, focando em turismo sustentável e pesquisas adequadas a cada região.
Wellington Fagundes (PL)
Programa Regulariza Mato Grosso: lançamento de programa de regularização ambiental em massa com mutirões técnicos regionais, geoprocessamento de alta precisão e sistema digital integrado ao Cadastro Ambiental Rural (CAR);
Licenciamento Ambiental Inteligente: transição do modelo cartorário para um modelo baseado em gestão por risco, digitalização integral dos processos, trilhas diferenciadas por nível de impacto e análise automatizada de dados geoespaciais;
Geoprocessamento e Auditoria Ambiental: monitoramento por satélite de alta resolução e auditoria ambiental baseada em evidências, substituindo a fiscalização presencial reativa por inteligência territorial proativa em tempo real;
Descentralização Municipal da Gestão Ambiental: apoio técnico e sistemas compartilhados com os municípios para a descentralização responsável do licenciamento local de baixo impacto;
Combate ao Garimpo Ilegal: implementação de programa estadual com fiscalização intensiva, repressão ao crime organizado e proteção dos territórios indígenas;
Hub de Bioeconomia e Economia Verde: criação de um núcleo estadual para conectar atores da cadeia de bioeconomia;
Mercado de Carbono e Ativo Ambiental: estruturação do Estado como plataforma de acesso a mercados de carbono;
Economia Verde, Bioenergia e Inovação: ampliação da geração de energia sustentável para posicionar Mato Grosso no protagonismo da transição energética nacional;
Capacitação e Inovação na Bioeconomia: fomento à formação de empreendedores, pesquisadores e técnicos na área;
Selo de Conformidade e Sustentabilidade MT: criação de certificação ambiental estadual em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente para propriedades que cumprem padrões de preservação, regularização fundiária e boas práticas agropecuárias;
Proteção da Fauna e dos Ecossistemas: criação do primeiro Hospital Veterinário Público do Estado;
Nascentes de Mato Grosso: programa estadual voltado para a recuperação de nascentes e matas ciliares;
Monitoramento Integrado de Bacias Hidrográficas: desenvolvimento de sistema de monitoramento de recursos hídricos utilizando geoprocessamento, sensoriamento remoto e inteligência analítica;
Segurança Hídrica para Comunidades Rurais e Tradicionais: implantação de estruturas de captação e tratamento de água para comunidades rurais vulneráveis;
Pesquisa para Inovação Sustentável: fomento à pesquisa em ciência e tecnologia aplicadas ao meio ambiente para gerar empregos qualificados;
Monitoramento Ambiental Inteligente: criação de um centro estadual de inteligência ambiental integrando dados de satélites, drones e inteligência artificial para detecção em tempo real de desmatamento, alterações nos biomas e focos de incêndio.
Política AMAR (Proteção e Resgate da Fauna em Desastres): implementação de política de atendimento, resgate e reabilitação de animais afetados por incêndios e desastres (consoante à Lei Federal nº 15.355/2026), articulando o Hospital Veterinário Público, bases de resgate e brigadas regionais;
Programa Pantanal Sustentável 2030: programa integrado para execução do Estatuto do Pantanal (Lei nº 15.228/2025) com foco em restauração de áreas degradadas, cobertura do bioma por monitoramento em tempo real, certificação de propriedades e harmonização entre produção e conservação;
Pantanal Inteligente (Preservação e Combate ao Fogo): sistema integrado de prevenção de riscos ambientais composto por satélites, drones, IA, sensores ambientais, brigadas locais e centros de comando com protocolos unificados do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil.
Educação Ambiental e Prevenção nas Comunidades: campanhas educativas contínuas voltadas a produtores rurais, escolas e comunidades locais;
Sistema Estadual de Resiliência Climática: apoio aos municípios no desenvolvimento de planos de prevenção e resposta a secas, enchentes, queimadas e ondas de calor.
Saúde Climática e Proteção à População Vulnerável: política com protocolos específicos para ondas de calor e doenças respiratórias associadas a queimadas, priorizando idosos, crianças e populações vulneráveis;
Cidades Resilientes: programas de drenagem urbana, arborização adaptativa e contenção de enchentes com apoio técnico e financeiro aos municípios;
Segurança Pública (Proteção dos Biomas e Defesa Civil): reestruturação do Corpo de Bombeiros Militar, expansão de unidades para o interior e modernização da frota de resgate/combate a incêndios;
Pecuária Sustentável no Pantanal: fomento ao modelo de fazenda sustentável que integra pecuária e conservação;
Turismo de Observação e Pesca Esportiva: consolidação do turismo de observação da fauna silvestre no Pantanal e incentivo à pesca esportiva responsável (modelo pesque e solte).
Infraestrutura e Cidades: programas de arborização urbana ("corredores verdes"), saneamento básico, resíduos sólidos, economia circular e proteção/recuperação de mananciais.