Durante estiagem, moradores de 40 comunidades rurais de Rio Branco recebem água de caminhões-pipa
05/08/2026
(Foto: Reprodução) Defesa Civil reforça abastecimento de água em comunidades rurais de Rio Branco
Moradores de 40 comunidades rurais de Rio Branco começaram a receber água por caminhões-pipas por conta da seca severa que atingem o estado acreano. O abastecimento é uma das medidas tomadas para reduzir os efeitos da estiagem na população.
Diante do agravamento da seca, o governo do Acre decretou situação de emergência em todo o estado. A medida foi assinada pela governadora Mailza Assis (PP) e publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) de segunda-feira (3).
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A seca também interfere no nível do Rio Acre, que marcou 2,05 metros em Rio Branco, nesta quarta (5). O manancial está a 80 centímetros de atingir a menor cota já registrada na capital, desde 1971, ano em que o manancial começou a ser monitorado. À época, o rio marcou 1,25 metro no dia 20 de setembro de 2024.
A Operação Estiagem atende as comunidades com abastecimento duas vezes por semana. A expectativa é distribuir mais de 40 milhões de litros de água durante todo o período de seca. A Defesa Civil de Rio Branco também se prepara para atender pontos da área urbana que possam sofrer desabastecimento.
Operação Estiagem 2026 estima distribuir 40 milhões de litros de água em Rio Branco
Defesa Civil Municipal de Rio Branco
O coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão, frisou que, a partir da publicação do decreto, o órgão pode tomar providências, recorrer a outras secretarias e ainda pedir recursos ao governo federal de uma forma mais célere, diminuindo a burocracia.
“O nosso trabalho tem sido com abastecimento de água. Utilizamos caminhões-pipa para atender comunidades ao redor da capital. Além disso, estamos fazendo levantamento das perdas na agricultura e buscando recursos de forma rápida para garantir alimentação aos afetados”, afirmou.
Conforme o coordenador, a Defesa Civil também tem feito um monitoramento constante sobre a qualidade e a umidade relativa do ar. O órgão ainda tem feito um levantamento sobre a quantidade de chuvas, o nível dos mananciais da capital e não descartou novas decretações de emergência.
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Ainda segundo o decreto, a seca afeta o abastecimento de água em comunidades rurais e pode causar impactos também na agricultura, pecuária e meio ambiente. Com isso, a Defesa Civil Municipal vai intensificar o monitoramento da situação e coordenar ações para reduzir os efeitos do período seco.
O documento ressalta que o estado de alerta não representa, neste momento, a decretação de situação de emergência, mas permite a adoção de medidas para minimizar os impactos da estiagem, como o início à Operação Estiagem durante o verão amazônico.
Moradores relatam dificuldades
Ação leva abastecimento de água a regiões da zona rural mais afetadas pela seca
Defesa Civil Municipal de Rio Branco
Uma das localidades atendidas com o abastecimento é a Vila Manoel Marques, no km 14 da Rodovia Transacreana. Todos os anos, moradores da região convivem com a falta de água devido ao esgotamento de açudes e poços. A presidente da comunidade disse que o problema atinge cerca de 1,6 mil famílias.
"Só aqui nessa região são 1,6 mil famílias que vivem totalmente sem água. Os açudes secam, os poços secam. A pouca água que fica é uma água podre, que não serve nem para dar banho nas crianças", disse Roseane Vieira.
Já o pedreiro Antonio Carlos, que também é morador da comunidade há cerca de 18 anos, relata que a falta de água compromete as atividades mais básicas da rotina. "Sem água ninguém vive. É para dar banho nas crianças que vão para a escola, para cozinhar, principalmente nesse calor", conta.
Para a aposentada Gorete Maciel, a escassez de água é recorrente durante o verão amazônico. "Quando para a chuva, não tem água. Os poços daqui são como uma caixa d’água. Acabou a chuva, acaba a água também. Falta para cozinhar, tomar banho, para tudo", disse.
Já cientes das dificuldades enfrentadas nesta época do ano, o produtor rural Antonio Carlos construiu três poços na propriedade dele. Contudo, ainda assim, devido à seca, o três secaram completamente. "Tenho três poços aqui e todos secaram", lamentou.
Nível do Rio Acre
Rio Acre na capital abaixo dos três metros
Quésia Melo/Rede Amazônica Acre
No mês de julho, o nível reduziu 40 centímetros, entrando na faixa dos dois metros na qual permanece até o início de agosto.
Conforme o monitoramento da Defesa Civil de Rio Branco, o manancial estava com 2,58 metros no dia 1º do mês passado. No último dia 1º, a medição chegou a 2,18 metros.
Já nesta quarta-feira (5), a medição ficou em 2,05 metros. Os cinco primeiros dias de agosto acumulam queda de 13 centímetros e aproximam o manancial da menor cota histórica, de 1,25 metro, de setembro de 2024.
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