Dor de cabeça não é ‘tudo igual’: o que os sintomas revelam sobre cada tipo de cefaleia

  • 26/05/2026
(Foto: Reprodução)
Maio bordô alerta sobre os impactos da enxaqueca na população A dor começa atrás dos olhos. Ou como um aperto constante na cabeça inteira. Às vezes vem acompanhada de náusea, intolerância à luz, tontura ou flashes luminosos. Em outras, parece só efeito de um dia estressante. Mas dor de cabeça não é tudo igual —e identificar os sinais que acompanham cada tipo de cefaleia pode evitar anos de crises recorrentes, automedicação e diagnósticos tardios. Embora a maioria das dores seja benigna, neurologistas afirmam que sintomas como localização, intensidade, frequência e alterações neurológicas ajudam a diferenciar os principais quadros. E isso faz diferença porque enxaqueca, cefaleia tensional e dor provocada pelo excesso de analgésicos exigem abordagens diferentes. Sensação de pressão costuma indicar cefaleia tensional cefaleia tensional Freepik A cefaleia tensional é o tipo mais comum de dor de cabeça. Em geral, provoca sensação de pressão ou aperto nos dois lados da cabeça, como se houvesse um peso contínuo comprimindo a região. A dor pode irradiar para o pescoço e os ombros e costuma aparecer em períodos de estresse, privação de sono, ansiedade ou fadiga visual. Diferentemente da enxaqueca, não costuma vir acompanhada de náusea, vômitos ou grande sensibilidade à luz. A neurologista Renata Londero, coordenadora do Departamento Científico de Cefaleia da Academia Brasileira de Neurologia, explica que tanto a cefaleia tensional quanto a enxaqueca podem ser desencadeadas pelo estresse —o que muda é o padrão da dor e os sintomas associados. O aumento do tempo diante de telas também passou a pesar nessa equação. Segundo os especialistas, horas seguidas no celular ou computador favorecem tensão muscular, piora do sono, ressecamento ocular e sobrecarga visual —combinação frequentemente ligada ao aumento das crises. Enxaqueca afeta mais do que a dor enxaqueca AdobeStock Na enxaqueca, a dor costuma ser pulsátil, mais intensa e frequentemente concentrada de um lado da cabeça, embora possa alternar entre os lados. Mas o quadro vai muito além da dor. Durante as crises, é comum que o paciente apresente náusea, vômitos, hipersensibilidade à luz, sons e cheiros, além de dificuldade para se concentrar ou realizar tarefas simples. Neurologista do Hospital São Luiz Morumbi, da Rede D'Or, Márcio Sueto afirma que muitos pacientes relatam lentificação do pensamento durante as crises, com dificuldade para compreender textos ou manter conversas. Em cerca de um terço dos casos, a enxaqueca vem acompanhada da chamada aura —alterações neurológicas transitórias que surgem antes ou no início da dor. Os sintomas mais conhecidos são flashes luminosos, pontos brilhantes, embaçamento visual e formigamento. Em alguns casos, também podem ocorrer tontura e fala enrolada. A neurologista Sara Casagrande, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleias e da International Headache Society, afirma que um dos problemas mais comuns é que muitos pacientes passam anos tratando a enxaqueca apenas com analgésicos até que a dor “muda de padrão” e começa a se parecer com tensão muscular ou dor cervical. Segundo ela, isso pode dificultar o diagnóstico e contribuir para a cronificação do quadro. O remédio pode virar parte do problema E aí surge outro problema frequente nos consultórios: a cefaleia provocada pelo uso excessivo de medicação. Tomar analgésico para aliviar uma crise parece um gesto inofensivo. Mas o uso frequente dessas medicações pode alimentar um ciclo difícil de interromper. Neurologistas chamam esse quadro de cefaleia por abuso de medicação —situação em que o cérebro passa a responder pior aos estímulos de dor depois da exposição repetida aos remédios. Sueto explica que o problema costuma ser identificado quando o paciente apresenta dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês e mantém uso regular de medicamentos para dor por mais de três meses. Sara Casagrande afirma que muitos pacientes passam a desenvolver uma espécie de dependência do analgésico. “A dor melhora parcialmente e depois volta”, afirma. Entre os medicamentos mais associados à cronificação estão remédios combinados com cafeína, opioides e alguns tratamentos específicos para enxaqueca. Quando a dor exige avaliação urgente Embora a maioria das dores de cabeça seja benigna, alguns sintomas exigem atendimento imediato. Entre os principais sinais de alerta estão: dor súbita e extremamente intensa; perda de força; alteração da fala; perda visual; convulsões; febre associada à cefaleia; confusão mental; dor após trauma; piora progressiva ao longo dos dias. Nesses casos, a cefaleia pode estar associada a problemas graves, como meningite, hemorragias cerebrais e acidente vascular cerebral (AVC). Especialistas também recomendam investigação quando a dor aparece em três ou mais dias por mês durante pelo menos três meses consecutivos. Tratamento mudou nos últimos anos Os tratamentos para enxaqueca avançaram de forma importante nos últimos anos com o desenvolvimento de medicamentos direcionados aos mecanismos da doença, como os anticorpos monoclonais anti-CGRP. Também há expectativa pela chegada de novas drogas orais da classe dos gepants ao Brasil. E, nesta segunda-feira (25), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o registro do Nurtec ODT, da Pfizer, primeiro medicamento oral com rimegepanto autorizado no país para tratar e prevenir crises de enxaqueca. O remédio dissolve na boca e pertence justamente à classe dos gepants, desenvolvida para bloquear a ação do CGRP, proteína ligada à inflamação e à transmissão da dor durante as crises. Mas os neurologistas reforçam que remédio sozinho não resolve. Sono regular, atividade física, alimentação adequada, hidratação e manejo do estresse continuam sendo parte central do controle das crises. Renata Londero afirma que a enxaqueca ainda é subdiagnosticada e subtratada no mundo todo, apesar do impacto importante sobre qualidade de vida e produtividade. E talvez esse seja um dos maiores problemas da dor de cabeça: por ser tão comum, ela muitas vezes deixa de ser levada a sério —até começar a ocupar espaço demais na rotina.

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/05/26/dor-de-cabeca-nao-e-tudo-igual-o-que-os-sintomas-revelam-sobre-cada-tipo-de-cefaleia.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Raridade

Anderson Freire

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes