Deputado federal Ricardo Abrão é alvo da PF em operação contra compra de votos
03/09/2026
(Foto: Reprodução) Deputado federal do RJ é alvo da PF em operação contra esquema de compra de votos
O deputado federal Ricardo Abrão (PSDB-RJ) é alvo, nesta quinta-feira (3), de uma operação da Polícia Federal (PF) contra corrupção eleitoral.
A PF investiga um suposto esquema de compra de votos em Nilópolis, na Baixada Fluminense, nas eleições municipais de 2024.
Agentes cumpriram 1 mandado de busca e apreensão contra o parlamentar na residência dele, em um condomínio de casas de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.
O mandado foi expedido pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A ação desta quinta-feira é um desdobramento de uma investigação iniciada em outubro de 2024, que resultou na prisão em flagrante de 24 pessoas e, em fevereiro de 2025, no cumprimento de mandados judiciais na Operação Astreia — da qual Abraão Davi Neto, o Abraãozinho (PL), prefeito de Nilópolis e primo de Ricardo, foi alvo.
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O que diz Ricardo Abrão
“Recebi com estranheza a operação deflagrada pela Polícia Federal. Esclareço que não participei como candidato nas eleições de 2024. Estou tranquilo e à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos necessários.”
Ricardo Abrão, deputado federal que assumiu o mandato de Chiquinho Brazão
Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Quem é Ricardo Abrão
Ricardo Martins David, o Ricardo Abrão, tem 53 anos. É advogado, empresário e ex-presidente da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis.
Abrão é filho de Farid Abrão David, que foi prefeito da cidade de Nilópolis por 3 vezes e presidiu a Beija-Flor, e sobrinho de Aniz Abraão David, o Anísio, patrono da Beija-Flor. Anísio foi preso pela PF na Operação Furacão 2 e na Operação Dedo de Deus, contra o jogo do bicho.
Ricardo assumiu como deputado federal em abril de 2025, após a cassação do mandato de Chiquinho Brazão, que em fevereiro deste ano foi condenado pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Foi deputado estadual por 2 mandatos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e secretário de Ação Comunitária da Prefeitura do Rio de Janeiro.
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Agentes da Polícia Federal cumprem buscas na casa do deputado federal Ricardo Abrahão, na Barra da Tijuca
Reprodução / TV Globo
Prisões em 2024
Na véspera do 1º turno das eleições municipais de 2024, a PF prendeu 24 pessoas em Nilópolis. Entre os presos, havia 3 PMs.
Segundo as investigações, o grupo atuava na eleição municipal como cabos eleitorais de Abraãozinho e foi pego com R$ 63 mil em espécie, que seriam usados para a compra de votos.
“A ação dos policiais federais ocorreu em um imóvel utilizado pelo candidato para efetivar a compra dos votos. Após vigilância na frente do local, policiais federais avistaram aproximadamente 15 pessoas saindo do imóvel e efetivaram a abordagem, logrando êxito em localizar na posse dos abordados dinheiro em espécie e relação com nome de eleitores”, detalhou a PF.
Durante a busca realizada no local, os policiais também apreenderam um carro adesivado com propaganda do candidato e uma pistola com 2 carregadores.
Carros adesivados de Abraãozinho em Nilópolis
Reprodução/TV Globo
A Operação Astreia
Primo de Ricardo, Abraão Davi Neto (PL), o Abraãozinho, foi alvo da Operação Astreia, deflagrada em fevereiro de 2025, em um desdobramento das prisões no ano anterior.
Agentes cumpriram 2 mandados de busca e apreenderam R$ 172 mil em espécie na casa de Abraãozinho. Também foram retidos celulares, mídias e documentos.
Abraãozinho era investigado por um esquema de compra de votos, fraude à cota de gênero, apropriação de recursos destinados ao financiamento eleitoral e lavagem de dinheiro.
“Com o aprofundamento das diligências, foi possível identificar um complexo esquema de corrupção eleitoral, o qual envolvia o uso de candidaturas laranjas e uma rede de apoio que se estendia a servidores públicos e políticos locais”, afirmou a PF na ocasião.
Em nota, Abraãozinho negou as acusações e disse estar à disposição para auxiliar a Justiça.
O deputado federal Ricardo Abrão e seu primo e prefeito de Nilópolis, Abraãozinho
Reprodução