Deputada Dani Portela afirma que foi agredida por PM ao defender mulher negra em briga durante show: 'Racismo perverso'

  • 02/07/2026
(Foto: Reprodução)
Deputada Dani Portela afirma que foi agredida por PM ao defender mulher negra em briga A deputada estadual Dani Portela (PT) afirmou que foi agredida por um policial durante uma confusão no show de encerramento do São João do Recife, no Centro da cidade. Em entrevista ao g1, ela disse que estava defendendo uma mulher negra que tinha sido agredida quando um efetivo da Polícia Militar chegou para intervir no tumulto (veja vídeo acima). Segundo a parlamentar, um dos PMs deu um tapa no peito e um empurrão nela, enquanto outro agente deu um murro no rosto de uma terceira mulher. Procurada, a Secretaria de Defesa Social (SDS) informou que a Corregedoria Geral do órgão vai instaurar um procedimento preliminar para apurar a conduta dos servidores (saiba mais abaixo). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE "Estava ali curtindo a festa, só que é isso: o racismo é tão perverso que ele olhou para mim e nem me identificou como uma deputada, me viu como mais uma daquelas pessoas que ele já julgou que eram culpadas. Então, eu disse: 'olha o seu olhar, vocês já entraram e vieram para cima de quem estava defendendo a pessoa que foi agredida'", afirmou. A discussão aconteceu na noite da segunda-feira (29), no Pátio de São Pedro, no bairro de São José, onde eram realizados os shows em celebração ao dia dedicado ao santo junino. Imagens gravadas no local mostram a deputada conversando com os PMs depois da confusão. A mulher que havia sido agredida, segundo Dani Portela, é a ativista Lilian Araújo, coordenadora nacional do Levante Popular da Juventude. Ela disse que viu um homem brigando com outra mulher e levou um soco no rosto quando tentou separar os dois. "Ele estava meio alterado, tentando pegar cigarro de uma pessoa e outra. E aí uma companheira nossa, — ele veio em cima de mim, viu que não ia conseguir nada porque eu sou grande —, ele foi em cima dela com mais violência, por ela ser um pouco menor. Ele tentou empurrar, exigindo que ela desse o cigarro. Afasto ele para o lado, e ele empurra no meu peito e dá um murro no meu rosto. Nisso, chega a polícia, e me empurra e dá dois murros no meu rosto", afirmou. Dani Portela disse que viu Lilian caindo e se juntou a um grupo para ajudar. Nesse momento, de acordo com a parlamentar, alguns amigos do agressor tentaram afastá-lo, mas ele voltou, avançando sobre as pessoas que prestavam apoio à vítima. "Ele se solta dos amigos e volta para confusão. Mas ele já volta empurrando outra mulher. Ele veio para cima das mulheres. Nessa hora entraram, entrou um grupo de quatro [policiais]. Eram 'laranjinhas', de bonezinho, bem jovens. Era uma moça jovem, dois rapazes bem jovens. O que me chamou a atenção e revoltou foi que eles já entraram em cima dessas mulheres e jovens negros que estavam aqui, que estavam defendendo a menina", afirmou. A deputada relatou que o grupo começou a gritar para que os policiais abordassem o agressor, dando início à discussão. "Uma moça, também uma menina negra, começou a gritar: "é para pegar ele, ele foi o agressor'. Ela foi mais enfática e, nessa hora da briga, o policial deu um murro no rosto dessa pessoa. Quando todo mundo foi, eu disse: 'não pode bater'. Quando eu fui para cima, ele me empurrou com uma tapa no peito aqui, bateu assim no meu peito, e o outro me puxou pelo braço", afirmou. Medo de denunciar A deputada disse que, depois da confusão, as outras vítimas optaram por não ir à delegacia, registrar um boletim de ocorrência, naquele momento, mas afirmou que está avaliando as medidas que deve tomar em relação ao caso. Nas redes sociais, a senadora Teresa Leitão (PT), líder do governo federal no Senado, manifestou solidariedade a Dani Portela. A parlamentar disse, ainda, que, na noite desta quinta (2), recebeu uma ligação da secretária de Justiça, Direitos Humanos e Prevenção à Violência, Joana D'Arc da Silva Figueirêdo. "Ali tinha dezenas de pessoas que testemunharam e as pessoas estavam com medo de ir. Essa é a questão. Eu sou deputada, eu vou denunciar, a polícia pode ser cobrada até de se retratar, a governadora, a secretária pode dar uma declaração de solidariedade [...], mas e aquelas meninas que vão voltar para a favela? Ninguém se sente nem seguro para isso, essa é a questão. As pessoas estavam com medo de ir para a delegacia testemunharem e denunciar o policial", declarou. Segundo Lilian Araújo, após a discussão, os policiais ficaram no local com o agressor. "Depois que a gente sai daquela situação, eles empurrando a gente, e a gente pedindo para eles pararem de bater na gente, foi quando chegou uma policial mulher, e ela já vinha para cima de mim. Eu falei: 'não, não venha para cima de mim, não, que não foi a gente que está errada'. [...] A gente decidiu mandar todo mundo para casa para relaxar os ânimos e pensar o que a gente ia fazer de uma forma mais coletiva, porque a gente estava como um movimento social, mas a gente estava a lazer", disse. Deputada Dani Portela afirma que foi agredida por PM ao defender mulher negra em briga Reprodução/WhatsApp O que diz a SDS Por meio de nota, a Secretaria de Defesa Social (SDS) informou que: não localizou qualquer registro relacionado ao caso até o momento e, diante disso, determinou a instauração de um procedimento preliminar para apuração dos fatos; por meio desse procedimento, as informações serão verificadas e serão coletados "os subsídios necessários à análise de eventual repercussão administrativa"; reforça o funcionamento ininterrupto do seu setor de Ouvidoria, disponível 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados, para o recebimento de denúncias e demais manifestações. De acordo com a SDS, as denúncias podem ser feitas por meio dos seguintes canais: presencialmente, na sede da Corregedoria, na Avenida Conde da Boa Vista, 428, Boa Vista; pelo telefone e WhatsApp, no número (81) 3184-2714; pelo e-mail denuncia@corregedoria.sds.pr.gov.br. 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FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2026/07/02/deputada-dani-portela-pm-show.ghtml


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