Cidades da região de Piracicaba estão em área de estresse hídrico crônico; entenda
25/01/2026
(Foto: Reprodução) Pedras à mostra no salto do Rio Piracicaba, em Piracicaba, durante estiagem
Edijan Del Santo/ EPTV
As cidades que estão nas bacias hidrográficas dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) estão em uma área de estresse hídrico crônico, informou Francisco Lahóz, Secretário Executivo do Consórcio PCJ.
O que é o Consórcio PCJ: associação de municípios e empresas que gerencia os recursos hídricos e o meio ambiente nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.
O estresse hídrico crônico é quando a disponibilidade de água é insuficiente para atender plenamente às demandas da população, da indústria e da agricultura, especialmente durante os períodos de seca.
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A disponibilidade hídrica da região chega a ser de 50% das necessidades totais em períodos de estiagem. Isso significa que o planejamento regional deve focar em reservar água suficiente para cobrir os outros 50% que não estão disponíveis nos rios, afirmou o especialista.
Segundo Lahóz, o cenário também é composto por:
Histórico de criticidade de abastecimento e avanço de estiagens prolongadas de abril a dezembro;
Pressão demográfica e econômica crescente.
"A região do PCJ já tem quase 6 milhões e meio de habitantes. É uma das regiões que mais cresce no Brasil, porque é uma região extremamente atrativa, é o segundo parque industrial do Brasil [...] há uma grande oferta de empregos, de universidades e de saúde pública", afirma Lahóz.
Bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ)
Consórcio PCJ
Soluções
Segundo o especialista, a solução passa por ações contínuas e integradas, que vão da proteção de nascentes com florestas até a instalação de cisternas urbanas. Veja abaixo.
O especialista indicou o armazenamento de água da chuva com cisternas em casas, empresas e indústrias.
“Se toda a indústria do município construir uma cisterna já retarda a necessidade de outras ações. Se os shoppings centers desistirem usar a área abaixo dos seus estacionamentos para fazerem cisternas, as águas armazenadas de chuva poderão resolver o problema de sanitários e outras situações”, explica.
A nível coletivo, ele indicou a construção de grandes represas regionais e municipais para armazenamento de água durante o período de chuva. A medida visa diminuir a dependência de cursos d’água, poços artesianos e promove mais segurança em casos, inclusive, de contaminação acidental de rios.
Um levantamento realizado pelo g1 mostrou que cidades maiores, como Limeira e Piracicaba, ainda dependem de rios.
A proteção de nascentes, com florestas em pé, e uma forte sensibilização para o uso racional da água também devem fazer parte da segurança hídrica, informou o especialista.
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Poços artesianos
Diferente de outras regiões, que utilizam o Aquífero Guarani, o subsolo da região PCJ é considerado "pobre", segundo Lahóz.
A vazão média dos poços é de apenas três metros cúbicos por hora, o que é suficiente para abastecer cerca de dez pessoas em um dia, afirmou o especialista.
Além disso, ele citou que é preciso que água da chuva caia, penetre com a ajuda de florestas e recarregue os lençóis freáticos ao longo de anos, realidade muitas vezes incompatível com as das grandes cidades.
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