Casarão histórico de Limeira que pertenceu a médico e à família Prada vai abrigar Instituto da Previdência
23/08/2026
(Foto: Reprodução) Casarão Dr. Antonio Cândido de Camargo
Reprodução/Laudo de Tombamento
A Prefeitura de Limeira (SP) vai transferir a sede do Instituto de Previdência Municipal de Limeira (IPML) para um prédio histórico que estava sem uso no Centro. O imóvel é o Casarão Dr. Antonio Cândido de Camargo, localizado na Rua Barão de Cascalho.
A escolha considera a importância do prédio para a memória da cidade. O imóvel foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Arquitetônico de Limeira (Condephali) em 8 de outubro de 2025. A resolução que oficializa o tombamento ainda aguarda publicação.
🏠 Construído antes de 1907, segundo Laudo Técnico para Tombamento, o casarão tem 1.140,10 metros quadrados de terreno e 627,57 metros quadrados de área construída. O imóvel é considerado um testemunho da história e das transformações de Limeira — entenda abaixo.
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O prédio já foi sede da Prefeitura e da Câmara Municipal e será restaurado para abrigar o instituto. A transferência foi aprovada pela Câmara na última segunda-feira (10). Até então, o imóvel pertencia à Câmara. Com a mudança, passará ao patrimônio do Município e, depois, será doado ao IPML.
Com a mudança, o IPML deixará de pagar aluguel e passará a ter uma sede própria. O projeto de recuperação deverá preservar as características históricas do imóvel e ser aprovado pela Prefeitura, além de seguir as normas de preservação e outras exigências legais.
História do casarão
Dr. Antonio Cândido de Camargo
Reprodução/Laudo de Tombamento
O casarão foi comprado pela Câmara Municipal em 1913. Antes disso, o imóvel foi residência do médico-cirurgião que dá nome à casa, o Dr. Antônio Cândido de Camargo. Ele trabalhou na Santa Casa de Limeira e também foi homenageado dando nome ao A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo.
Segundo o laudo, ele foi chefe da cirurgia da Santa Casa de Limeira por 15 anos. Nesse período, introduziu técnicas de assepsia e antissepsia e ajudou a transformar o hospital em um centro de referência. Médicos de outras regiões iam a Limeira para acompanhar suas operações e aulas.
Em 1907, o casarão foi vendido a José Prada e Companhia. Durante esse período, Agostinho Prada morou no local, e as áreas externas e laterais do imóvel foram usadas na produção inicial da Fábrica de Chapéus Prada, com a instalação de máquinas no terreno.
Escritura de 1913 do Casarão Antonio Cândido de Camargo
Reprodução/Laudo de Tombamento
Segundo Laudo Técnico para Tombamento, em fevereiro de 1913, a Câmara Municipal de Limeira, representada pelo então prefeito Major José Levy Sobrinho, comprou o imóvel para que ele servisse como sede da Prefeitura. A família Prada vendeu o casarão por 27 contos de réis.
Não há registro de como o imóvel passou posteriormente para a Prefeitura.
Como é o casarão
Elementos ecléticos de casarão histórico em Limeira, segundo o laudo de tombamento
Reprodução/Laudo de Tombamento
Atualmente, o imóvel mantém as características do estilo eclético, que combina diferentes referências arquitetônicas. Segundo o laudo, os elementos neoclássicos incluem pilastras lisas com capitéis coríntios e um entablamento completo, formado por arquitrave, friso e cornija.
O casarão também possui gradis de ferro com inspiração no Art Nouveau, movimento artístico do século XIX, nos guarda-corpos das sacadas e na parte superior da porta principal de entrada.
No interior, ainda conforme o laudo, há mosaicos de ladrilho hidráulico em áreas consideradas nobres, além de pisos de madeira e mármore. Esses elementos estão entre os itens que deverão ser recuperados durante o restauro.
Mesmo preservando as características arquitetônicas, segundo o laudo, o prédio apresenta infiltrações ascendentes, reboco se desprendendo, vidros quebrados e pichações.
Na parte interna, há registros de forros de gesso e madeira danificados e em processo de desabamento, além de fiações expostas. O laudo também aponta a destruição de itens como bancadas e pias de mármore.
Como será a restauração
Agora no g1
O instituto ficará responsável por executar a restauração do prédio, seguindo os projetos completos de arquitetura e engenharia fornecidos pela Prefeitura.
🔎 Segundo a Prefeitura, o casarão tem nível de proteção P1, o mais alto, que prevê o tombamento total do prédio original. As ampliações e anexos que descaracterizaram a construção não fazem parte da área protegida.
Conforme a prefeitura, a proposta prevê preservar o prédio original, demolir as ampliações e o anexo e construir um novo bloco para garantir acessibilidade ao imóvel tombado. O projeto de restauração está na fase final de elaboração, e o Condephali até já aprovou o projeto básico e o memorial de restauro.
O novo espaço deverá permitir a circulação entre os pavimentos e abrigar banheiros, auditório e áreas de infraestrutura.
Ainda não há previsão para o início ou o fim das obras. Antes, é preciso concluir os projetos de arquitetura e engenharia e realizar a licitação.
Doação ao IPML e mudança de endereço
A doação ao IPML será definitiva, mas segundo a Prefeitura, ainda depende da formalização por meio de projeto de lei e do registro em cartório.
Atualmente, o instituto funciona em um imóvel alugado na Rua Wilson Vitório Colleta. O endereço será devolvido ao proprietário quando a mudança para a nova sede for concluída. Esse local também já foi cedido para uso da Justiça.
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