Casa Branca diz que governo fará anúncio de novas tarifas nesta quinta
23/07/2026
(Foto: Reprodução) Vista aérea da Casa Branca, em 2 de maio de 2026
REUTERS/Ken Cedeno
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou nesta quinta-feira (23) que o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, fará um anúncio sobre novas tarifas antes do fim da vigência da taxa global de 10%, previsto para sexta-feira (24).
A expectativa é que a medida inclua uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos de cerca de 60 países, incluindo o Brasil.
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A possível nova tarifa está relacionada a uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A apuração trata de supostas falhas de parceiros comerciais no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, realiza uma coletiva de imprensa na Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 23 de julho de 2026
REUTERS/Jonathan Ernst
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Em março deste ano, o escritório do Representante Comercial dos EUA anunciou o inicio de investigações sobre práticas comerciais desleais contra 60 países, dentre eles, o Brasil. A investigação do USTR teve como objetivo entender estes países tinham medidas adequadas contra o trabalho forçado.
Além do Brasil, a lista de países e economias investigados inclui alguns dos principais parceiros comerciais e aliados dos EUA, como Austrália, Canadá, União Europeia, Reino Unido, Israel, Índia, Catar e Arábia Saudita. China e Rússia também aparecem na relação.
Em junho, saiu o resultado do inquérito apontando que esses países supostamente falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países.
O governo dos EUA alega que a condução dos países neste assunto não apenas prejudica a lucratividade de empresas éticas, mas também incentiva a manutenção do trabalho escravo moderno ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos artificialmente baixos.
Em relação ao Brasil, o relatório afirma que, embora o país assuma compromissos de combate ao trabalho escravo em acordos de comércio e investimentos, ainda não possui uma proibição considerada efetiva pelos EUA para impedir a entrada de mercadorias produzidas nessas condições no mercado interno.
O documento menciona a existência da Lista Suja do Trabalho Escravo, atualizada semestralmente pelo governo federal, mas ressalta que o foco da investigação americana foi a ausência de mecanismos para impedir a importação de bens produzidos com trabalho forçado em outros países.
Brasil classifica decisão como "arbitraria"
No início de julho, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou uma carta ao USTR para contestar a proposta de aplicar a tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. Na carta, o Itamaraty rejeitou a avaliação e afirmou que as conclusões da investigação são "errôneas", "arbitrárias" e não encontram respaldo nas evidências apresentadas pelo Brasil ao longo do processo.
O documento enviado pelo governo brasileiro ao USTR sustenta que o país já atua de forma ativa no combate ao trabalho análogo à escravidão, principal motivo apontado pelos EUA para justificar a proposta de aplicar uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros.
No texto, Vieira afirma que o país mantém um conjunto abrangente de mecanismos legais e institucionais para prevenir, identificar e punir casos.
Entre eles estão:
responsabilização criminal;
fiscalização trabalhista;
mecanismos de transparência;
cooperação entre diferentes órgãos públicos; e
medidas para impedir que produtos ligados ao trabalho escravo entrem nas cadeias produtivas.
O governo brasileiro também argumenta que o USTR utilizou exemplos de outros países para justificar sua decisão, sem demonstrar relação com a realidade brasileira. "O USTR optou por invocar uma afirmação conclusiva", afirma o documento.
Para reforçar esse argumento, Mauro Vieira recorre à própria legislação americana. Segundo ele, a Seção 301 não permite que o USTR ignore evidências que contradigam suas conclusões — mas foi exatamente isso que aconteceu neste caso.
"A Section 301 não permite que o USTR ignore evidências incontestadas (...) Infelizmente, foi precisamente isso que o USTR propôs", escreve Vieira.
O plano do governo para conter danos do tarifaço
A principal iniciativa do governo para apoiar empresas afetadas pelas tarifas é o Plano Brasil Soberano. Lançado em 2025, o programa prevê linhas de financiamento, ampliação das garantias para exportadores e ações de promoção comercial para ajudar empresas brasileiras a conquistar novos mercados.
Na última quarta-feira (22), o governo anunciou a terceira etapa do plano, que liberou R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas comerciais dos EUA. A medida atende companhias de setores industriais estratégicos, como os segmentos farmacêutico, de fertilizantes e têxtil, além de empresas que tiveram as exportações para o Golfo Pérsico afetadas.
Nesse último caso, o objetivo do governo é ampliar o apoio a empresas afetadas pela guerra no Oriente Médio. O conflito, que envolve os EUA, o Irã, Israel e outros países da região, provocou o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do mundo, por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo.
*Com informações da Reuters