Calor nas cidades pode ser até o dobro do previsto com o aquecimento global, aponta estudo

  • 08/02/2026
(Foto: Reprodução)
COP30 - Por que limitar o aquecimento a 1,5°C é a meta perseguida? Um novo estudo científico recém-publicado indica que o aquecimento global pode ter um efeito ainda mais intenso dentro das cidades do que o previsto por modelos climáticos tradicionais. A pesquisa, publicada na prestigiada revista científica "Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)", analisou 104 cidades de porte médio em regiões tropicais e subtropicais e concluiu que, em cerca de 81% delas, a temperatura urbana tende a subir mais rapidamente do que nas áreas rurais ao redor. O trabalho utilizou projeções climáticas combinadas com modelos estatísticos e técnicas de aprendizado de máquina para estimar como fatores como a chuva, a umidade e a vegetação influenciam o aquecimento urbano. 2️⃣ Em parte das cidades avaliadas, o aumento de temperatura pode chegar a ser até o dobro do registrado no entorno rural. Entre as cidades analisadas estão municípios de vários países da América Latina, incluindo o Brasil. O estudo cita, por exemplo, Campo Grande, além de outras cidades brasileiras avaliadas nas projeções. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Nos resultados, os pesquisadores observaram que o comportamento das cidades brasileiras tende a ser diferente do registrado em regiões mais áridas ou densamente urbanizadas da Ásia e do Oriente Médio. Em partes do Brasil, porém, a diferença entre o aquecimento urbano e o regional pode ser menor, em parte por causa da presença de vegetação e da maior disponibilidade de umidade, fatores que ajudam a reduzir a intensidade da chamada ilha de calor urbana. Ainda assim, o estudo mostra que essas cidades continuam aquecendo junto com o clima regional, o que pode aumentar a frequência de dias muito quentes e de noites abafadas. LEIA TAMBÉM: Pirarucus na Granja do Torto: peixe símbolo da Amazônia vira ameaça ambiental fora do seu habitat Rara água-viva fantasma gigante é registrada no fundo do mar da Argentina; veja VÍDEO O fenômeno que explica por que iguanas estão despencando de árvores com onda de frio na Flórida Os resultados mostram, contudo, que o comportamento de cidades pelo mundo não é uniforme: em alguns casos, a diferença entre o aquecimento urbano e o regional é pequena, enquanto em outros há um aumento mais expressivo. Ainda assim, os pesquisadores destacam que mesmo variações aparentemente pequenas podem ter impacto relevante na vida cotidiana. ➡️ Em cidades já quentes, um aumento adicional de alguns décimos de grau pode elevar a frequência de dias muito quentes e noites abafadas, com efeitos sobre saúde, consumo de energia e qualidade de vida. O fenômeno por trás desse resultado é conhecido como ilha de calor urbana. Cidades tendem a reter mais calor do que áreas rurais por causa da presença de concreto, asfalto e edifícios, além da menor quantidade de vegetação. Esses materiais absorvem energia durante o dia e liberam calor lentamente à noite, mantendo as temperaturas elevadas. São Paulo registrou 39 °C em 25 de dezembro, em pleno dia de Natal, durante uma onda de calor. RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Segundo os autores, os modelos climáticos globais são essenciais para prever o aquecimento do planeta, mas não conseguem representar com precisão o microclima das cidades, especialmente as de porte médio. 🌡️ Isso acontece porque esses modelos trabalham com áreas muito grandes, nas quais diferenças locais acabam diluídas. Para contornar essa limitação, o estudo combinou dados climáticos com informações de satélite e modelos capazes de estimar com mais detalhe a temperatura da superfície nas áreas urbanas. Os resultados indicam que, ao considerar esses fatores locais, o aquecimento nas cidades pode ser maior do que o estimado apenas com base nas médias regionais. Em algumas regiões do mundo, como norte da Índia e partes da China, as projeções apontam aumentos urbanos significativamente superiores aos das áreas vizinhas. Já em cidades brasileiras analisadas, a diferença tende a ser menor em média, embora o aumento geral de temperatura ainda seja significativo. Os pesquisadores também ressaltam que o estudo não considerou a expansão futura das cidades. E caso áreas urbanizadas continuem crescendo nas próximas décadas, o aquecimento local pode ser ainda maior do que o estimado. Silhueta de uma mulher contra o sol poente. AP Photo/Charlie Riedel Por que limitar o aquecimento a 1,5°C é a meta perseguida? A meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais surgiu como um consenso científico e diplomático em 2015, com o Acordo de Paris. Ela foi definida após uma série de estudos mostrarem que esse valor representava um “limite seguro” para evitar os efeitos mais devastadores das mudanças climáticas – como secas intensas, colapso de ecossistemas, aumento extremo do nível do mar e impactos graves à saúde humana. A lógica por trás desse número era clara: quanto menor o aquecimento, menores os riscos. Relatórios do IPCC (painel da ONU sobre clima) mostraram que, mesmo com 1,5°C, o planeta já enfrentaria perdas consideráveis, mas que esses impactos seriam muito piores com 2°C ou mais. Estabelecer esse teto era uma forma de preservar o futuro de bilhões de pessoas, especialmente nas regiões mais vulneráveis. No entanto, os dados mais recentes apontam que esse limite já está sendo superado. Em 2024, o planeta atingiu a marca de 1,6°C de aquecimento: a questão que os cientistas avaliam é se isso foi um novo padrão ou apenas o registro pontual em um ano. E, pior: estudos publicados nas revistas "Nature Climate Change e Nature Communications" indicam que manter o aquecimento em 1,5°C talvez não seja mais suficiente para impedir o colapso de geleiras na Groenlândia e na Antártida – regiões que armazenam gelo capaz de elevar o nível do mar em até 65 metros nos próximos séculos. Além disso, um relatório da ONU afirma que, mesmo no cenário mais otimista, a chance de limitar o aquecimento global a 1,5°C é de apenas 14%. LEIA TAMBÉM: Rara água-viva fantasma gigante é registrada no fundo do mar da Argentina; veja VÍDEO O fenômeno que explica por que iguanas estão despencando de árvores com onda de frio na Flórida Lontra rara no Pantanal, flamingos em torres de energia e supergrupo de golfinhos; veja imagens de prêmio de fotografia da natureza Como o homem que plantou uma floresta no bairro pode inspirar você?

FONTE: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/02/08/calor-nas-cidades-pode-ser-ate-o-dobro-do-previsto-com-o-aquecimento-global-aponta-estudo.ghtml


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